domingo, 19 de fevereiro de 2012

Presidenta destaca investimentos de US$ 220 bi da Petrobras e garante percentual de conteúdo nacional

Presidenta Dilma Rousseff discursa na cerimônia de posse da presidenta da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Ao participar da posse da presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, hoje (13), no Rio de Janeiro (RJ), a presidenta Dilma Rousseff se declarou emocionada e destacou que o Brasil vive um momento histórico, quando a primeira presidenta da República participa da posse da primeira mulher presidenta de uma grande empresa de petróleo no mundo.

Dilma Rousseff destacou o potencial da Petrobras, “orgulho de todos os brasileiros”, e lembrou que a história da empresa se confunde com a história de crescimento do país.

“Todos nós temos certeza de que a Petrobras é uma parte do esforço deste país, talvez uma das partes mais relevantes, de se constituir uma grande nação”, afirmou.

A presidenta frisou a importância do pré-sal e anunciou que, até 2015, a Petrobras vai investir mais de US$ 220 bilhões na exploração e produção de óleo e gás, na petroquímica, no refino, no transporte e na comercialização. Ela enfatizou que todos os investimentos serão orientados pelo compromisso de fortalecer a cadeia produtiva no país e de estimular o desenvolvimento tecnológico do setor, e destacou que o governo não abrirá mão da decisão de garantir percentuais de conteúdo local nas compras da empresa.

“A Petrobras é uma parceira do povo brasileiro e será uma parceira do povo brasileiro na exploração do pré-sal, reserva estratégica de energia e de riqueza, que tivemos a necessária excelência tecnológica para descobrir e temos competência para explorar. Só empresas assim têm poder efetivo e serão perenes no mercado mundial de petróleo, tão assimétrico e tão agressivo.”

Ao se despedir, ela lembrou dos 31 anos de “trabalho incansável” de Graça Foster, empregada de carreira da Petrobras, que conquistou a presidência da empresa “por absoluto merecimento”, e agradeceu a dedicação do ex-presidente José Sérgio Gabrielli, a quem desejou boa sorte nos novos desafios profissionais.

“Diante desses dois brasileiros que representam a capacidade deste país de dirigir, de ter governança, de enfrentar desafios e superá-los, me sinto emocionada”, declarou.

Já Maria das Graças Foster afirmou em seu discurso que sua gestão será de continuidade. Disse, ainda, que se pautará pelo diálogo de prosperidade, sempre com foco na disciplina de capital, no cumprimento das metas e prazos, sem descuido da segurança operacional e ambiental.

“Sinto orgulho de ser a primeira mulher no mundo a comandar uma empresa de petróleo deste porte. É um grande desafio, uma grande responsabilidade, me sinto preparada. Minha gestão será de continuidade. Sabemos para onde vamos, como vamos e quando vamos chegar.”

Mantega afirma que investimentos serão ampliados para garantir crescimento da economia

Presidenta Dilma reúne o conselho político do governo no Palácio do Planalto. Investimentos serão ampliados para garantir crescimento econômico. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje (14) que o governo federal vai expandir os investimentos para que a economia tenha um crescimento de 4,5% em 2012. Após reunião do conselho político, no Palácio do Planalto, ele afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida serão ampliados, assim como os investimentos no Brasil sem Miséria e no Bolsa Família para garantir a expansão do mercado interno. Já os investimentos em educação vão subir 20% em 2012 em relação ao ano passado.

“Um crescimento econômico de 4,5% depende um grande esforço de investimento. Vamos redinamizar o investimento até 2014. O nosso desafio é remar contra a corrente”, disse o ministro da Fazenda em referência à crise internacional.

Segundo ele, o governo prepara um contingenciamento do Orçamento de 2012 que ajudará o país a manter a solidez fiscal. Além disso, ressaltou Mantega, governo e Congresso devem continuar afinados.

“Governo e Congresso devem manter a parceria e a cooperação. O Congresso tem tido a atitude madura de não permitir a aprovação de projetos que provoquem desequilíbrio orçamentário ou aumento de gastos”, afirmou.

Gestão – A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, acrescentou que a presidenta Dilma discutiu com o conselho político a adoção de um sistema de monitoramento dos principais programas do governo. O objetivo é aperfeiçoar a gestão e aumentar qualidade dos serviços prestados à população.

“É uma determinação da presidenta implementar esse monitoramento em todas as áreas”, disse Ideli.

Só os estrangeiros analisam o governo Dilma sem corrupção, bem diferente da nossa imprensa

Kenneth Maxwell

Mulheres e o poder

O primeiro ano de mandato de Dilma Rousseff viu a partida de muitos ministros -todos eles homens. Ao longo do processo, a presidente manteve -e até ampliou- sua popularidade.
Começou seu segundo ano de governo com uma indicação importante. Na segunda-feira desta semana, Graça Foster tomou posse como presidente da Petrobras.
Esta talvez venha a ser a indicação mais importante da presidente Dilma Rousseff. Representa um grande avanço para as mulheres do Brasil e mostra que Dilma pretende mesmo fazer diferença quanto à questão da diferença de tratamento entre os sexos, especialmente nos negócios, onde a resistência a que mulheres ocupem os cargos executivos mais altos continua forte.
Nos últimos anos, a igualdade entre os sexos avançou na América Latina. Hoje, há cinco mulheres chefes de governo nas Américas -no Brasil, na Argentina, na Costa
Rica, na Jamaica e em Trinidad e Tobago.
Dilma também indicou mulheres para postos importantes no seu gabinete. Mas, no mundo dos negócios, as mulheres continuam notáveis pela ausência, mesmo em comparação com os EUA, onde elas detêm mais de 16% dos postos nas diretorias de grandes empresas, número que, aliás, nada tem de espetacular. No Brasil, a presença feminina é de pouco mais de 5%.
Maria das Graças Silva Foster, 58, nasceu em Caratinga (MG), mas vive desde os dois anos de idade no Rio de Janeiro, onde cresceu em uma favela pobre e violenta que hoje é parte do Complexo do Alemão.
Começou como estagiária na Petrobras e subiu na hierarquia nos 32 anos seguintes, obtendo, ao longo do caminho, diplomas em engenharia química, engenharia nuclear e um MBA, respectivamente na Universidade Federal Fluminense, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Fundação Getulio Vargas. "Sempre trabalhei para ajudar a sustentar minha mãe e meus filhos, e para pagar meus estudos. A força de vontade é tudo, e não tenho medo de trabalhar."
A Petrobras é uma das maiores companhias mundiais, ocupando a 34ª posição no ranking da revista "Forbes" sobre as 500 maiores empresas do planeta. Graça Foster foi secretária do Petróleo, Gás e Energia Renovável quando Dilma era ministra de Minas e Energia.
O desafio de Graça Foster agora é administrar e colocar em exploração os imensos ativos de petróleo offshore da Petrobras, apesar das dificuldades e das grandes despesas que sua extração acarreta.
Graça Foster subiu pelo caminho mais difícil, e por mérito próprio. Ela é uma mulher muito forte. E Dilma está lhe oferecendo a oportunidade.
KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Postado por APOSENTADO INVOCADO

Lula agradece homenagem da Gaviões da Fiel no Carnaval

Lula agradece a homenagem da gaviões da Fiel - Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou ontem uma mensagem para a escola de samba Gaviões da Fiel, cujo enredo faz uma homenagem a Lula.




Na mensagem, filmada no Hospital Sírio Libanês, Lula agradeceu a homenagem e o empenho de toda a escola, mas avisou que, por recomendações médicas, ele não poderá participar do desfile no Sambódromo do Anhembi.

Gaviões da Fiel emociona o sambódromo e Lula com samba sobre sua vida.

A escola de samba Gaviões da Fiel, que desfilou esta madrugada no sambódromo do Anhembi, emocionou os espectadores com seu enredo “Verás que um filho teu não foge à luta – Lula, o retrato de uma nação”. O samba, que homenageou o ex-presidente Lula e contou a história de luta do povo brasileiro, começou falando do nordeste e das dificuldades enfrentadas por Lula nesta região do país.

O início da carreira como torneiro mecânico, a fundação do Partido dos Trabalhadores e a luta pela democracia também foram alguns dos momento da vida de Lula apresentados durante o desfile. As bandeiras políticas defendidas por ele, como educação, emprego e moradia, foram lembradas, assim como seu slogan “A esperança contra o medo”, da campanha de 2002. O último carro da escola, que contou com a presença da ex-primeira dama, dona Marisa Letícia, trouxe ainda imagens de Lula em sua trajetória e o vídeo de agradecimento à escola gravado por ele.

O ex-presidente, que por recomendações médicas não pôde desfilar com a escola, assistiu tudo pela televisão e ficou muito emocionado. Ao final do desfile, ele ligou para dona Marisa e pediu que ela agradecesse à Gaviões da Fiel por essa homenagem, que classificou com uma das maiores que já recebeu na vida.

Acadêmico canadense sugere Lula para o Banco Mundial

Renato Martins

O próximo presidente do Banco Mundial deveria ser o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sugestão é do professor de Ciência Política Gregory Chin, da Universidade York, do Canadá, em artigo publicado na edição de hoje do Financial Times.

"Estão crescendo as demandas para que se rompa a tradição de 65 anos de selecionar automaticamente um americano para ser o próximo chefe do Banco Mundial", escreve o acadêmico. Lembrando a reivindicação dos países em desenvolvimento, de ter maior representação nas instituições internacionais, Chin cita uma declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que "nosso objetivo é que os países emergentes tenham a mesma chance de competir pela liderança dessas organizações multilaterais".

"Mantega não precisa olhar longe. Que tal Lula?", pergunta o autor do artigo. "Sob a liderança de Lula, o Brasil entrou na crise financeira forte e bem governado, e emergiu dela mais rapidamente do que a maioria das economias avançadas. Enquanto isso, seus bancos e multinacionais continuaram a ascender nos rankings globais. Lula foi um dos líderes mais carismáticos do Sul Global ao longo da última década. Seu perfil foi robusto nas cúpulas do G-20, acusando aqueles que administravam mal a economia mundial e demandando reformas para corrigir arranjos de representação ultrapassados no sistema econômico global", prossegue o texto.

Chin acrescenta que as credenciais de Lula "como campeão das economias em desenvolvimento são fortes. Ele viajou pelo mundo, defendendo laços Sul-Sul mais fortes, inclusive com a África e dentro dos Brics, e deu seu apoio a fóruns regionais na América do Sul. Ele demandou mais voz para os países em desenvolvimento nos processos de tomada de decisões globais e de estabelecimento de agendas. Lula é respeitado por formadores de opinião no Norte. O Brasil fez contribuições substanciais para instituições multilaterais, para o sistema das Nações Unidas, dando mais do que a China para a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), o fundo do Banco Mundial para os países mais pobres".

O acadêmico ressalva que "a nomeação do ex-presidente brasileiro não resolveria por si mesma os desafios de legitimidade que o Banco Mundial enfrenta. Embora os problemas de credibilidade do banco não sejam tão severos como os do FMI, não se pode esquecer que foi apenas quatro anos atrás que o banco nomeou seu primeiro economista-chefe do mundo em desenvolvimento - da China".

O artigo diz ainda que "com Lula como presidente, o banco seria liderado por alguém que lutou corajosamente pela democracia, pela igualdade e pela justiça social. Haveria acordo, pelo menos nesse nível, em torno de um bom modelo de governança".

Ótima notícia:Lula deixa hospital após fazer última radioterapia contra câncer

Vamos em frente, campeão.O Brasil precisa nuito de você.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por volta das 16h50 desta sexta-feira, onde estava internado desde sábado (11).

 Lula fez na manhã desta sexta-feira a 33ª sessão de radioterapia e encerrou o tratamento contra um câncer diagnosticado em outubro.

Segundo o boletim médico divulgado logo após ele deixar o hospital, "exames de reavaliação do tratamento oncológico deverão ocorrer entre quatro e seis semanas". O prazo é necessário porque, no período, a radiação continua atuando no organismo, atingindo seu efeito máximo

Uma tomografia feita no sábado revelou que não há mais sinais do tumor na laringe do ex-presidente. A resposta ao tratamento, no entanto, será conhecida apenas após o exame realizado no mês que vem.

O boletim divulgado pelos médicos que acompanham a saúde do ex-presidente também reafirma a recomendação de que o ex-presidente não participe do Carnaval.

 "Os médicos recomendaram ao paciente que permaneça em repouso neste final de semana e não participe do desfile carnavalesco."

"DISCIPLINADO"

 Segundo o ministro Alexandre Padilha (Saúde), que visitou o presidente mais cedo, Lula adotará um estilo de vida mais "disciplinado" com relação a sua saúde.

"O presidente vai fazer o controle como qualquer pessoa faz", disse Padilha, após conversar com ele por cerca de uma hora.

O acompanhamento médico da doença após o término do tratamento é de cinco anos.

 Além de fatores genéticos, o tabagismo pode ter sido uma das causas do desenvolvimento do tumor --Lula só parou de fumar há dois anos. Quando associado ao consumo de álcool, os riscos de desenvolver este tipo de câncer crescem.
Lula vai seguir, por exemplo, a recomendação médica de não comparecer ao desfile da Escola de Samba Gaviões da Fiel, que ocorre em São Paulo na noite deste sábado no sambódromo do Anhembi.

"Ele está louco para ir desfilar na Gaviões da Fiel, mas os médicos estão recomendando que ele não vá. Como paciente disciplinado, ele não irá", disse o ministro. A escola terá Lula como tema de seu Carnaval neste ano.


O ministro Guido Mantega (Fazenda) também esteve com o ex-presidente no hospital nesta sexta-feira.

Veja abaixo a íntegra do boletim médico divulgado hoje:

 "BOLETIM MÉDICO

17/02/2012

O ex-presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, concluiu hoje, conforme planejado, o tratamento radio-quimioterápico.

Teve alta hospitalar e realizará o processo de recuperação em sua residência, onde receberá assistência fonoaudiológica e fisioterápica. Exames de reavaliação do tratamento oncológico deverão ocorrer entre quatro e seis semanas.

Os médicos recomendaram ao paciente que permaneça em repouso neste final de semana e não participe do desfile carnavalesco.

O paciente continuará sendo assistido pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, João Luís Fernandes da Silva e Cláudia Cozer." Uol.

Postado por O TERROR DO NORDESTE

Desfile de escolas de samba de SP pode sofrer interferência política

Posted by eduguim on 19/02/12 – Blog da Cidadania

A escola de samba Gaviões da Fiel foi a penúltima a se apresentar. Desfilou nos estertores da madrugada de domingo (19) e superou expectativas pela qualidade técnica da apresentação, pelo esmero das alegorias e pela surpreendente criatividade.

Com o tema “Verás Que o Filho Fiel Não Foge À Luta – Lula o Retrato de Uma Nação”, a Gaviões foi tecnicamente irretocável. A riqueza das alegorias, a evolução competente e milimetricamente sincronizada uniu-se a expressiva empolgação do público.

O desfile da escola foi aberto por temas mais políticos, com alas de nomes sugestivos como ABC da Vida, Caça às Bruxas, Porões da Ditadura, Voz que Não se Cala, Diretas Já e pelo carro alegórico Duelo da Democracia contra o Dragão da Ditadura.

Em seguida, vieram alas, baterias e carros alegóricos que destacaram a obra social da era Lula, com as alas Prato Cheio, Busca do Saber, Carteira de Trabalho Assinada, Quem Casa quer Casa, Energia e Progresso e Estabilidade da Moeda.

Quando a ala sobre a moeda estável entrou na avenida, a locução da Globo fez questão de lembrar que a estabilidade também seria obra de FHC.

Destacaram-se, entre as celebridades presentes, Fábio Assunção, Sabrina Sato e a própria esposa de Lula, Marisa Letícia.

Mas o que levantou mesmo o público e encantou os comentaristas da Globo foram as centenas de componentes da escola usando máscaras de Lula e trajando um macacão de operário todo prateado. Em certo ponto do desfile, os “Lulas” tiraram o macacão e ficaram de terno e gravada, simbolizando a transformação do operário em presidente.

Um detalhe emocionante: dezenas de homens que se vestiram de Lula operário e que depois despiram o macacão e viraram presidentes rasparam completamente os cabelos antes do desfile em solidariedade ao problema de saúde do homenageado.

No último carro alegórico da Gaviões, Marisa Letícia, animada, sambava sem parar.

Fechando o desfile, uma réplica em isopor do Rolls Royce presidencial, com uma criança vestida de esposa de Lula e um figurante no papel do próprio. Detalhe: o “motorista” do carro foi o ator Fábio Assunção.

Ao fim do desfile da Gaviões, o apresentador da Globo Chico Pinheiro entra no ar diretamente de um dos camarotes do sambódromo. Viera anunciar uma suposta “classificação das escolas segundo notas dos telespectadores”.

Para quem assistiu ao desfile dessa e das outras escolas de São Paulo, a nota média que a Globo diz que teria sido dada pelo público foi surpreendente. A pontuação 8,6 colocou o samba-enredo e a escola que mais empolgaram o público em sétimo lugar.

A Gaviões, escola detentora de vários títulos, com um desfile tecnicamente perfeito, com um samba-enredo que enlevou o público, a militância petista, a torcida do Corinthians e a da própria escola, poderia não ficar em primeiro na preferência do público… Mas em sétimo?!

A cada Carnaval, surgem acusações de que a Globo interfere no resultado das disputas de escolas de samba. A pontuação pífia da Gaviões que a emissora atribui ao público, é estranha. A escolha da vencedora em S. Paulo pode virar uma guerra, este ano.


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Leia e ouça, abaixo, o samba-enredo da Gaviões da Fiel em 2012.

Samba Enredo 2012 –

Verás Que o Filho Fiel Não Foge À Luta – Lula o Retrato de Uma Nação

G.R.E.S. Gaviões Da Fiel

Vai meu gavião…

Cantando a saga do menino sonhador

Um filho do sertão, cabra da peste… Irmão

Que deus pai iluminou!

Trouxe no sangue a coragem, a fé

O poder regendo seu destino!

Na cidade grande a esperança… O futuro promissor!

Traçou seu o caminho

Cresceu foi à luta… Pra vencer

E o sonho se torna real

Luiz Inácio o operário nacional!

*

Companheiro fiel… Por liberdade

Na corrente do bem… Contra a maldade!

Elo forte da democracia

A luz da nossa estrela guia!

*

Viu… No coração do Brasil

Tanta desigualdade

O retrato da realidade

A utopia buscando a dignidade!

Solta o grito da garganta e vem comemorar

A soberania popular

Felicidade…

O povo unido venceu

A cidadania resplandeceu

Uma nova era aconteceu!

*

Sou da nação, sou valente e festeiro

Corinthiano loucamente apaixonado!

Em oração a São Jorge guerreiro

Peço que o brasileiro seja sempre abençoado!”

A inveja é uma merda!

Josias de Souza, aquele jornalistarzinho jabazeiro, que se vendeu ao governo de FHC para difamar o MST, está se contorcendo de raiva porque Lula, o melhor presidente da História do Brasil, foi homenageado pela escola de samba Gaviões da Fiel.No texto de Josias de Souza, publicado hoje na Folha, chama a atenção esse trecho:"dedicada a qualquer outro político, a sacralização carnavalesca seria tachada de demagogia. Oferecida a Lula, funciona como beatificação do mito".Como cara-pálida? Ao que se sabe, nenhum outro presidente do Brasil foi homenageado por uma escola de samba, nem do Rio de Janeiro, nem de São Paulo.Só Lula possui esse feito, conquistado, diga-se de passagem, duas vezes.No ano passado, pela escola Tom Maior, de São Paulo.E em 2012 pela Gaviões da Fiel.De modo que nenhum outro presidente do Brasil vai levar, conforme sugere Josias de Souza, a pecha de demagógico, isto porque simplesmente ele nunca vai desfilar em escola de samba.Só o grande Lula, futuro presidente do Banco Mundial, tem esse privilégio.A bem da verdade, Josias de Souza está chateado porque FHC, o corno manso, nunca foi convidado para desfilar em escola de samba.Josias queria ver  a turma da privataria sujando o chão da cidade de São Paulo, tendo FHC, o rei da privataria, à frente, empunhando a bandeira da corrupção, com Verônica Serra fazendo a vez de porta-bandeira da trambicagem.

Postado por O TERROR DO NORDESTE

Carnaval, uma nota

Por Felipe Carrilho

Em seu pioneiro livro “Carnavais, Malandros e Heróis”, o antropólogo Roberto DaMatta definiu o Carnaval brasileiro como “um momento em que se pode totalizar todo um conjunto de gestos, atitudes e relações que são vividas e percebidas como instituindo e constituindo o nosso próprio coração”. A folia seria, em outras palavras, uma das nossas instituições identitárias, “que fazem do Brasil, o Brasil”.

Atualmente, a palavra “carnaval” surge tão revestida de brasilidade que a maioria das pessoas deixa escapar o fio do seu lastro histórico. É como se o festejo fosse um elemento inato da nossa nacionalidade.

Mas o Carnaval é um fenômeno de longa duração. No século 19, era sinônimo de Nice e, no século 18, estava associado a Roma e Veneza, cidades que fervilhavam durante essa estação festiva, repletas de visitantes. E mesmo muito antes disso, já era uma das principais manifestações populares da Europa.

Os estudiosos, no entanto, não chegaram a um consenso a respeito da interpretação desse festival. Uma ala afirma que o Carnaval europeu é, originariamente, um ritual essencialmente cristão, e que o apelo ao consumo de carne, bebidas, e a ênfase na sexualidade são explicados pela necessidade de se abster dessas atividades no período subsequente.

Outros enxergam o Carnaval sob a ótica das tradições pagãs. Essa festa seria, assim, um resquício de antigos rituais agrários de fertilidade. Decorreria disso, o realce dos elementos fálicos, como salsichas e narizes compridos, símbolos da fecundidade almejada.

Para o renomado teórico literário russo, Mikhail Bakhtin, o Carnaval é, ainda, uma encenação do “mundo de pernas para o ar”, um momento em que o normalmente proibido é permitido ou até mesmo obrigatório. Funcionando como uma “válvula de escape” – ao autorizar, além dos prazeres da carne, a crítica às autoridades – o festejo teria o poder de garantir um funcionamento razoavelmente ordeiro da sociedade no restante do ano.

Essas tradições europeias atravessaram o Atlântico e chegaram ao Novo Mundo no século 16, principalmente às regiões colonizadas por católicos do Mediterrâneo. Por aqui se transformaram, ganhando contornos de outras culturas, principalmente das africanas. No caso brasileiro, isso fica evidente na importância da dança e dos instrumentos de percussão.

O Carnaval, assim, foi interpretado como uma das mais importantes expressões culturais, ao lado do futebol, do que Gilberto Freyre chamou de democracia racial. O próprio samba, espécie de ritmo oficial da nossa folia, representa, basicamente, uma síntese das intersecções rítmicas e harmônicas entre gêneros europeus, como a polca, e os batuques africanos, principalmente das populações de origem banto.

Além disso, se, por um lado, as alegorias do nosso Carnaval são tributárias de procissões de outrora, como as de Florença e Nuremberg – que contavam com carros alegremente decorados – por outro, as fantasias de nossas alas não escondem o parentesco com as vestimentas rituais do candomblé, sendo a tradicional ala das baianas – obrigatória tanto no desfile oficial das escolas de samba do Rio, quanto no de São Paulo – um indício inequívoco dessa realidade.

É também verdade que a ideia de democracia racial vem sofrendo duras críticas dentro e fora da academia, como nos movimentos sociais de afirmação negra. A questão central é o fato de Freyre amenizar, em sua obra, as tensões e os conflitos decorrentes dessas interações culturais históricas. Assim, numa interpretação ingênua da história do Carnaval, poderíamos ignorar, por exemplo, que, antes de se tornar um símbolo da nossa identidade, o sambista era visto como um infrator e que, ao portar um pandeiro na rua, poderia ser preso.

No intuito de superar por completo essas mazelas, vivemos um novo tempo, de descoberta e valorização da cultura popular. E, às vésperas dessa celebração nacional, outra frase do livro de Roberto DaMatta costuma dar samba: “No Carnaval, ensaiamos viver com mais liberdade”.

Felipe Dias Carrilho é historiador e autor do livro Futebol, uma janela para o “Brasil – As relações entre o futebol e a sociedade brasileira”

O Brasil derrotou o desemprego

Delúbio Soares (*)

Uma das piores chagas na vida das nações, fator de desagregação social, que leva os trabalhadores e suas famílias à situação de imensas dificuldades de sobrevivências, não consta mais entre nossas preocupações: o Brasil derrotou o desemprego.

Em décadas recentes, antes da chegada ao poder do presidente Lula, do PT e seus partidos aliados, o desemprego custou caro ao trabalhador brasileiro. Ele foi o responsável por algumas da piores páginas em nossa história recente, quando a indústria, o comércio e o setor de serviços experimentaram o desaquecimento da economia, o Brasil suportou a duras penas a  inflação galopante, e todos sofremos com o descaso dos governos neoliberais do PSDB para com a questão social e o futuro do país e seu povo. Tristes tempos!

Em 2011, o pleno emprego viveu o seu melhor momento em nove anos, notadamente nas metrópoles (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza e Belém do Pará, além de toda a região industrial do ABCD paulista), com as mais altas taxas de emprego desde 2002, segundo dados oficiais do IBGE. O Brasil produtivo acolheu a mão-de-obra disponível e a utiliza numa economia crescente, onde a indústria opera a pleno vapor e o comércio vive dias de efervescência, alimentando uma cadeia produtiva que tem dado mostras inequívocas de vitalidade e força.

O desemprego cedeu de uma média anual de 6,7% (índice de 2010) para decrescentes 6% em 2011, situando-nos em posição intermediária entre os demais países. Obtivemos índices muito melhores do que os desenvolvidos e equivalentes a  latino-americanos e emergentes, excetuando-se a poderosíssima China e o México, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional, o FMI. Para quem se acostumou a frequentar a crônica dos desacertos e a escutar o permanente alarme internacional nos anos do tucanato, isso é uma sinfonia aos ouvidos de um Brasil que cresce e já se firmou diante dos olhos do mundo.

Em dezembro de 2011, apenas 4,7% era a modesta taxa de desemprego no país, enquanto países ricos como os Estados Unidos (9,1%), França (9,5%), Itália (8,2%), Rússia (7,3%), sem falar de nossos irmãos da Espanha que enfrentam a lastimável taxa de 20,7%  naquela que tende a ser a pior crise de sua história social e econômica, foram flagelados por esse grave problema .

O presidente Lula, diante da crise mundial de 2008, quando até os Estados Unidos experimentaram o amargor de uma economia em colapso, anteviu que as consequências para o Brasil e os brasileiros seriam mínimas, quase que imperceptíveis: “Será uma marolinha para nós”. Não lhe faltaram as mais ácidas críticas, todas elas desmentidas pela realidade dos fatos, pelo sucesso econômico dos dois governos do grande Estadista e do governo da presidenta Dilma Rousseff, que mantém inalterado o compromisso com o desenvolvimento econômico lastreado na justiça social e na emancipação política do povo brasileiro.

Se em 2008, diante do forte impacto causado pelo estouro da bolha imobiliária norte-americana, da quebra e da forçada fusão de alguns dos maiores e mais tradicionais bancos, financeiras e seguradoras de um mercado que foi à lona, o Brasil não tivesse sob o comando clarividente de um líder da grandeza e da competência de Lula, hoje – quando já somos a sexta economia mundial, tendo ultrapassado a secular e sólida Grã-Bretanha – estaríamos engrossando a lista das nações convulsionadas, com índices de desemprego monumentais e sociedades vivendo a tragédia da depressão econômico-social. Basta ver as receitas estapafúrdias (socialmente preconceituosas e tecnicamente desastrosas) que nossos adversários, notadamente do PSDB, apresentaram, auxiliados pelos clarins do apocalipse de certa imprensa econômica que (sem conseguir disfarçar sentimentos menores) não consegue conviver com o sucesso de seu país apenas pelo fato dele ser obra dos governos petistas de Lula e Dilma!

O pleno emprego foi conseguido com um governo comprometido com o crescimento econômico através do fortalecimento da indústria nacional, decidido apoiador de nossos empreendedores, antenado nas necessidades de nossa população e defensor do invejável lugar que o Brasil buscou e conseguiu no cenário econômico internacional.

Somente com a continuidade das políticas implementadas ao longo dessa década de administração responsável e consciente, onde um claro projeto de país contemplou a inadiável ascenção de 40 milhões de brasileiros à classe média, retirando-os de terrível pobreza e resgantando-lhes a cidadania, o Brasil permanecerá ao lado das nações que estão escrevendo a história do mundo no século 21.

Esse é o compromisso do PT e de seus aliados: pleno emprego, economia fortalecidade e pujante, cidadania e justiça social.

É irreal a propaganda para evitar prescrição do mensalão.


Por José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall'Acqua

Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira (16/2)

Platão, no seu mito da caverna, descreve uma situação muito próxima ao modo que uma parcela da nossa sociedade enxerga a ação penal número 470 do Supremo Tribunal Federal, conhecida como processo do mensalão.

Na alegoria criada pelo filósofo, um grupo de indivíduos, dentro de uma caverna, olhava exclusivamente as imagens das sombras que, trazidas pela luz do mundo exterior, eram refletidas, trêmulas, nas paredes de pedra. Todos pressupunham que aqueles espectros traduziam a realidade e ninguém olhava para fora da caverna, onde a vida se desenvolvia de fato.

Com a proximidade do julgamento, as sombras do mensalão estão assumindo ares de realidade, enquanto o processo, as provas, as nossas leis e os princípios constitucionais desaparecem de vista.

De início, nada mais irreal do que a tão propagada urgência na decisão para se evitar a prescrição. A pressa é tanta que até mesmo a manifestação de um ministro no sentido de que pretende ler o caso é vista como algo capaz de caducar toda a acusação.

Isso não faz sentido algum, já que basta abrir o Código Penal para ver que a próxima data de prescrição ocorrerá somente no ano de 2015.

Os ministros do STF também são alvos de visões distorcidas. Desde o início do caso, antes da produção das provas, foram levianamente rotulados como partidários da acusação ou da defesa.

Após essa absurda classificação, campanhas foram iniciadas com o fim de se evitar a aposentadoria dos julgadores tachados como pró-condenação. Nada pode ser mais ofensivo e desrespeitoso com a trajetória dos atuais ministros, que, sem exceção, não cometem pré-julgamentos. Ao contrário: eles decidem com base nas provas, sempre respeitando a presunção de inocência e a ampla defesa.

Para quem quiser comprovar essa grata realidade, basta ligar a TV ou acessar a internet. Os julgamentos são transmitidos ao vivo e as decisões são disponibilizadas na íntegra no site do tribunal.

Mas o status máximo de mito do processo do mensalão veio com as recentes declarações de alguns destacados magistrados de segunda instância, especulando que a ampla divulgação pela mídia das investigações do Conselho Nacional de Justiça têm como causa a iminência do julgamento.

Sem um único indício ou argumento lógico, especulou-se publicamente que as divergências internas do Poder Judiciário poderiam ser geradas por interessados em pressionar o STF na decisão de sua ação penal mais famosa. Parece que tudo pode ser livremente atribuído ao processo do mensalão, com a mesma tranquilidade com que se dizia, diante de um nó em crina de cavalo, que "foi obra do Saci".

Um mito é sempre superdimensionado. Valendo a regra, dizem que a ação do mensalão irá nos brindar com o julgamento da "era Lula". Isso pode soar grandioso, mas não é verdade, pois o ex-presidente já foi julgado politicamente nas eleições de 2006 e 2010. E, principalmente, porque o objeto do processo são os fatos narrados na denúncia e as provas produzidas com as garantias próprias de um Estado democrático de Direito.

Enquanto o mito do mensalão é interpretado em sombras cada vez mais desencontradas, o processo judicial que representa a realidade dos fatos é ignorado.

Aqueles que bradam pela condenação querem distância das provas estampadas na ação penal, que sempre foi pública e está digitalizada. Sem deturpações, é fundamental para a democracia brasileira que o debate sobre o julgamento da ação penal número 470 seja feito com responsabilidade, para que a nossa sociedade se torne cada dia mais preparada para enxergar a justiça.

José Luis Oliveira Lima é advogado, sócio do Oliveira Lima, Hungria, Dall"Acqua e Furrier Advogados.

Rodrigo Dall'Acqua é advogado, sócio do Oliveira Lima, Hungria, Dall"Acqua e Furrier Advogados.

Revista Consultor Jurídico, 16 de fevereiro de 2012

Selton, Selton, uma criança

Homenageado na Mostra de Cinema de Tiradentes, Selton Mello celebra 30 anos de carreira e sua grande paixão, o cinema

Por: Carlos Minuano

Foto: Leo Lara/Universo Produção/Divulgação 15ª Mostra de Tiradentes

Selton Mello tem fama de quem assobia e chupa cana ao mesmo tempo. Atua, escreve e dirige. Na direção, já foram dois longas-metragens, Feliz Natal e O Palhaço, filme do qual também é protagonista, ao lado de Paulo José. “Era quase esquizofrênico eu me dirigir. Eu fazia a cena e dizia ‘corta’”, conta. Antes de tudo isso, já era um ator muito curioso. “Não ficava no set só esperando a hora de fazer minha cena, queria saber qual lente o diretor e o fotógrafo estavam usando, como aquilo seria montado, sempre fui muito interessado pela parte técnica.” Por isso mesmo, acredita que tenha sido uma transição natural ir para a direção. “Evidente que aquele ator curioso se tornaria diretor um dia”, diz.

Selton Mello nasceu em Passos (MG), cresceu e viveu em São Paulo e hoje mora no Rio. Há algum tempo, o ator amargou uma crise, da qual só saiu graças “à mola que existe no fundo do poço”. Com discrição mineira, se esquiva do assunto, e hoje, a salvo e distante do limbo, com apenas 39 anos, comemora mais de três décadas de uma carreira recheada de sucessos. No momento saboreia duas estreias, Reis e Ratos, com direção de Mauro Lima, que entra em cartaz neste fevereiro, e Billi Pig, exibido na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na qual o ator foi homenageado. Na abertura, um clipe produzido pelo Canal Brasil, de TV por assinatura, mostrou todos os filmes em que atuou, arrancou lágrimas do ator e emocionou o público.

O festival abriu em janeiro o calendário da temporada brasileira de audiovisual. Selton Mello circulou pouco pela pequena cidade histórica mineira, localizada a 180 quilômetros de Belo Horizonte. Evitou como pôde o assédio de fãs e de jornalistas, mas em meio a fotos, autógrafos, filmes e aplausos encontrou um tempo para conversar com a Revista do Brasil. Falou de sua maior paixão, o cinema, e também sobre o ofício de ator, que, segundo ele, é uma forma de “continuar a ser criança”.

Minha mãe sempre me levou a programas de calouros, eu cantava Roberto Carlos no Bolinha, no Bozo, no Dárcio Campos. E, como ela atendeu ao meu pedido, a primeira música que cantei foi Lady LauraO que é ser ator?

O ator é um contador de histórias, pode levar um pouco de sonho para quem o está vendo. É continuar a ser criança, talvez essa seja uma boa definição, porque, quando a gente é criança, brinca de ser coisas – a menina pega a boneca e finge que é sua filha –, é um exercício da imaginação. Ser ator é continuar aquela experiência da infância.

E o que o levou a esse caminho?

Comecei bem cedo, gostava muito de televisão, era bem viciado, via todos os programas de humor. Tenho um carinho grande pelos humoristas da velha guarda, por isso procuro trabalhar com eles. Chamei o Moacir Franco em O Palhaço, o Lúcio Mauro em Feliz Natal, gostava muito de assistir aos programas do Chico Anísio, do Jô Soares. Um dia eu disse pra minha mãe: “Quero ir lá dentro da maquininha”, e pedi pra ir cantar na televisão.

Ela me levou a programas de calouros, eu cantava Roberto Carlos nos programas do Bolinha, Bozo, Dárcio Campos. E, como minha mãe atendeu ao meu pedido e me levou, a primeira música que cantei foi Lady Laura (risos).

Sempre pensei: “Será que é possível fazer um filme que seja popular e autoral? Que se comunique bem e leve à reflexão e seja silencioso, e que seja cinema, portanto?” Essa foi linha tentativa, com O Palhaço, e deu certo

E o cinema, quando surgiu na sua vida?

Minha primeira experiência com cinema foi num filme dos Trapalhões e da Angélica, Uma Escola Atrapalhada, na década de 1990. Depois comecei a fazer umas pequenas participações – em Lamarca (1994), Guerra de Canudos (1997) e O Que É isso, Companheiro? (1997). Eu até brincava, porque sempre morria no início do filme. Nessa época, então, meu grande sonho era viver até o fim de um filme. Aí veio o ano que eu chamo de definitivo na minha vida, 1998, quando fiz o Auto da Compadecida, inspirado na peça de Ariano Suassuna, e Lavoura Arcaica, baseado na obra de Raduan Nassar. Foi um choque, eu tinha 25 anos, foi a hora em que percebi o que queria pra minha vida, que é fazer cinema, foi quando me encontrei, que decidi me dedicar a isso, e a partir de então foi o que eu fiz, sou focado.

 E a direção, como aconteceu?

Foi naturalmente. Codirigi uma peça em 2001, depois dirigi uns clipes do Ira!, antes de a banda acabar, sou amigo deles. Depois que se separaram fiz outros do Nasi. Foi uma época em que o Canal Brasil estava passando por uma transição e me convidaram para fazer alguma coisa lá. Criei o programa Tarja Preta, que eu dirigia e apresentava, e lá conheci o Jorge Loredo (o Zé Bonitinho). Fiquei encantado e dirigi um curta-metragem com ele (Quando o Tempo Cair), e quando vi estava dirigindo meu primeiro longa.

Se surgir algo interessante, se alguém assistir ao meu trabalho em português e disser “gostei desse cara”, ótimo, mas não vou parar tudo para ir até lá e começar de novo. Você pensa em carreira internacional?

Tenho vontade, sim. O mais perto que cheguei disso foi no Jean Charles (de Henrique Goldman, 2009), que foi rodado em Londres, e já tive algumas sondagens de trabalho lá fora, mas nenhuma engatou, como o convite para atuar no novo Star Trek, de J.J. Abrams. Eu pensei: “Caramba, pô, maneiro, filme nos EUA, J.J. Abrams... Mas o que vou fazer dentro daquela nave?” E ninguém sabia me responder, porque é assim que eles trabalham: queriam primeiro um o.k. meu, e aí, sim, iam escrever sabe-se lá o quê.

Era provável que eu colocasse aquela roupa da nave e ficasse muito deprimido. E sou muito grato pelo que conquistei aqui, é um ­país enorme, rico culturalmente, e consegui levar minha arte para muita gente. Então, não me encanta a ideia de parar tudo aqui e começar em um outro país, numa outra língua. Quero continuar fazendo aqui, em português.

Se surgir algo interessante, se alguém assistir ao meu trabalho em português e disser “gostei desse cara”, ótimo, mas não vou parar tudo para ir até lá e começar de novo.

O seu segundo longa, O Palhaço, fez sucesso aqui no Brasil. Você acredita que ele pode tocar tanto também outros países?

Eu acho que sim, porque trata de uma questão muito humana, falar de identidade, vocação, o que você escolheu para fazer da sua vida, ou para o que foi escolhido. É um filme que enquadra todo mundo, acredito que possa ter uma trajetória bonita fora do país. Fico feliz porque em O Palhaço tentei uma coisa que poderia não dar certo. Temos um cinema autoral muito bom, a que pouca gente tem acesso, e o de característica bem comercial, que não leva a nenhuma forma de reflexão.

E sempre pensei: será que não é possível juntar as duas coisas? Será que é possível fazer um filme que seja popular e autoral? Um filme que se comunique muito bem, mas leve à reflexão e seja silencioso, e que seja cinema, portanto? Essa foi minha tentativa, e deu certo. Talvez eu tenha encontrado agora uma veia, uma forma de fazer. O filme foi uma realização pessoal gigante, importante também para o cenário brasileiro, por mostrar que o público é sensível e quer coisas que enriqueçam o espírito e a alma.

Você vê diferenças, no trabalho de direção, entre O Palhaço e o primeiro filme, Feliz Natal?

Foram experiências muito distintas. O primeiro tem aquela ansiedade da estreia, você fica querendo mostrar que sabe fazer e ao mesmo tempo muito preocupado se vai dar conta de tudo aquilo. No segundo tem uma calma maior porque você já estreou, mas no meu caso entrou um novo dado, o fato de atuar também. Era quase esquizofrênico eu me dirigir. Eu fazia a cena e dizia “corta”. Era um negócio meio maluco, para quem estava de fora era até bastante engraçado. Mas correu tudo bem, deu tudo certo.

E como foi a homenagem na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes?

Foi emocionante, fiquei muito contente. Tenho 39 anos de idade, porém trabalho há mais de 30. Desde criança sou ator. Apesar de novo, já tenho quilometragem. Receber homenagem é um incentivo e tanto para seguir adiante criando e produzindo. Uma das principais características da Mostra de Tiradentes é celebrar novos talentos, as novas cabeças pensantes do cinema, e nós temos muitos talentos. É um grande diferencial desse festival, e fico feliz em ser homenageado em uma mostra que celebra os jovens. Vim aqui há dez anos, com o Lavoura Arcaica, e agora fiquei impressionado com a estrutura, cresceu muito.

O tema desta edição da mostra foi o ator. Qual a diferença entre atuar no cinema e na TV?

Acredito que a principal diferença está na falta de tempo para você aprofundar um trabalho. Tenho uma grande admiração pelo Tony Ramos, acho um ator extraordinário, justamente porque ele consegue um negócio que acho um feito: faz cinema, faz teatro, mas gosta mesmo é de novela, e faz muitas. Fico muito impressionado porque ele consegue manter um nível alto em seu trabalho, as novelas que faz são sempre grandes trabalhos, e coisas distintas: faz um indiano, um grego, um coronel do mato, um camarada urbano. E na televisão não há tempo para preparação, para se aprofundar em um personagem.

Hoje o cara vai, faz o filme, põe no Youtube, e em pouco tempo todo mundo vê. Não depende de festival,  ou de uma TV. Já foi dali para o mundo. A força da internet impressiona. Estou a fim de vasculhar esse negócioÉ tudo muito ligeiro, são 30 cenas por dia. No cinema o tempo é outro, você faz duas, três cenas por dia, pode elaborar melhor tudo. Por outro lado, minha escola foi a TV. Não sou formado em nada, cresci fazendo as coisas, foi na televisão que aprendi, trabalhando com grandes atores, observando como eles faziam. Esse é o lado bom da rapidez da TV, porque dá uma agilidade de raciocínio enorme. Para fazer 30 cenas todos os dias é preciso tirar muito coelho da cartola, tem de ser criativo. Isso dá uma bagagem muito boa. Hoje, fazendo cinema, com mais calma, percebo isso.

Trinta anos de carreira e muitas transições, o que falta fazer?

Não sei o que falta, quero continuar a fazer o que gosto. Estou curtindo muito dirigir, na verdade estou gostando mais que de atuar, mas em resumo é isto: continuar trabalhando, exercitando a imaginação. No momento estou saboreando duas estreias, uma em fevereiro, Reis e Ratos, com direção de Mauro Lima, e outra em março, Billi Pig, comédia de José Eduardo Belmonte. Ainda não sei qual será meu próximo trabalho, estou tateando algumas coisas. Acho que vou viver uma coisa curiosa: geralmente um diretor sofre uma pressão do primeiro para o segundo filme, é bastante comum isso. Comigo vai ser diferente, vai ser do segundo para o terceiro.

O Feliz Natal foi tão radical, sombrio, autoral e pouco visto que não tive o menor pudor em ir para o segundo. Não tive aquele momento “ai, meu Deus, o segundo, e agora?”, quando vi já estava fazendo. Mas para o terceiro talvez eu tenha. Agora vai rolar uma cobrança porque O Palhaço fez sucesso, deu certo, abriu um novo caminho no cinema brasileiro, apontou uma nova possibilidade, de fazer algo popular e autoral, conseguiu juntar essas duas coisas, que até então ninguém estava fazendo, ou era muito comercial, ou muito autoral. Então agora acredito que tenha uma expectativa, porque eu vou seguir nessa onda.   

A Kodak faliu, pediu concordata, já é uma coisa muito rara filmar em película, e vai acabar totalmente, a exibição vai passar a ser totalmente digital, muita coisa vai mudarVocê disse que aprendeu fazendo, mas considera importante ter o suporte de um aprendizado acadêmico?

A importância do estudo tradicional é enorme, mas o que acho na verdade é que vivemos um período de transição tão grande na comunicação que a gente não consegue nem se dar conta ainda, de tão veloz que é tudo, essa coisa da internet. Sou muito ligado nisso, e ando pensando em fazer algo nesse segmento. Mas acho que tudo ainda é embrionário, os valores vão mudar muito. A Kodak faliu, pediu concordata, já é uma coisa muito rara filmar em película, e vai acabar totalmente, a exibição vai passar a ser totalmente digital, muita coisa vai mudar.

Isso tudo pra dizer que hoje em dia a moçada que se forma tem uma vantagem. Antigamente, para começo de conversa, não havia uma indústria cinematográfica, não era nada animador. Segundo, não tinha internet. Hoje, depois da faculdade, ou mesmo durante os estudos, se o cara quiser se expressar basta pegar uma câmera, às vezes nem tão potente. Ele vai, faz o filme dele, põe no Youtube, e em pouco tempo está todo mundo vendo, espalhando. Ele não fica dependendo de entrar num festival ou em uma TV, aberta ou fechada, já foi dali para o mundo. Fico muito impressionado com a força da internet. Estou a fim de vasculhar esse negócio.

Qual sua opinião sobre o atual momento do cinema brasileiro, e o que falta para ele se projetar mundialmente?

Já vai muito bem internacionalmente. Aliás, a Mostra de Tiradentes é pródiga disso, os jovens que passaram ou que passam por aqui já estão a todo o vapor, Cannes, Roterdã. Esses filmes mais autorais, de uma linguagem mais inventiva, viajam muito bem. Por outro lado, é importante conquistar o público brasileiro, o que também já vem acontecendo. O ano retrasado teve o fenômeno do Tropa de Elite 2, de José Padilha, com mais de 11 milhões de espectadores. Ano passado também foi muito bem, mas um pouco mais pulverizado, o que ao meu ver é mais saudável.

Não tivemos nenhum Tropa com 11 milhões, mas teve sete filmes com grandes bilheterias. O Palhaço é um deles, com 1,5 milhão de espectadores, outro fez 800 mil, 400 mil, 3 milhões. Isso é bom, é importante o público brasileiro se ver na tela. O cinema é uma espécie de espelho do que a gente representa. Quando eu digo que essa geração de atores, da qual faço parte, é muito importante porque personificamos os mitos e os heróis brasileiros. Não somos o Brad Pitt, o Johnny Depp. Somos o Wagner Moura, o Lázaro Ramos, falamos português, e temos essa responsabilidade de dar cara ao nosso cinema e falar a língua de quem está ali nos vendo.

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/68/entrevista

"Suborno nas empresas é uma questão de oportunidade"

Na avaliação do especialista britânico Phillip Tarling, vice-presidente da Huawei,  todo mundo pode deixar-se corromper e aceitar suborno ou cometer uma fraude numa empresa.

Por Denize BACOCCINA

Na avaliação do especialista britânico Phillip Tarling, todo mundo pode deixar-se corromper e aceitar suborno ou cometer uma fraude numa empresa. Só depende da oportunidade. E de achar que não será pego no crime. Por isso, ele defende que as empresas criem mecanismos internos de controle. “As pessoas cometem fraudes porque têm a oportunidade. É preciso eliminá-la”, afirma Tarling, vice-presidente do Centro de Excelência de Auditorias Internas da Huawei, fabricante chinesa de produtos para telefonia. Ele também é vice-presidente do Instituto Internacional de Auditores Internos (Global IIA) e neste ano assumirá a presidência da entidade. No combate à corrupção dos recursos públicos, Tarling diz que as empresas têm sua parcela de responsabilidade, mas que cabe aos governos tomar a liderança, dando o exemplo e aprovando leis para punir quem comete os crimes. “Se o governo é percebido como corrupto, então o setor privado também pode pensar que não tem nada demais seguir  pelo mesmo caminho”, disse em entrevista à DINHEIRO.

DINHEIRO – Todo mundo fala em corrupção e desvios nos governos, mas isso também acontece nas empresas, não é?
PHILLIP TARLING – A extensão do problema depende do país em que você está e em que área trabalha, mas ele existe tanto no setor público quando no privado. Eu trabalhei bastante na África nos últimos anos. O Reino Unido fez no ano passado uma lei contra o suborno. Além do setor público, todo mundo que trabalha numa empresa privada britânica pode ser processado por corrupção. Vale para qualquer pessoa trabalhando para uma empresa britânica, em qualquer lugar do mundo. É como a lei americana, que também precisa ser respeitada por qualquer pessoa que estiver trabalhando para uma empresa americana, não importa a nacionalidade nem em que país está. Mas também acredito que há um padrão. Se o governo é percebido como corrupto e não mostra disposição de fazer nada para combater isso, então o setor privado pode pensar que não tem nada demais em ir pelo mesmo caminho. Os governos têm de liderar. Eles têm que dar o exemplo. Quando eu estava trabalhando na Letônia, descobrimos que uma coisa eficiente era ensinar as crianças nas escolas. É preciso começar com elas.

DINHEIRO – E como se faz isso?
TARLING – É preciso ir às escolas primárias, ensiná-las que a polícia não deve pedir dinheiro, que isso não é correto e que elas devem dizer aos pais para não fazerem mais isso. Os governos têm de liderar o processo.

DINHEIRO – E problemas dentro das empresas, coisas como superfaturamento das compras de fornecedores. São comuns casos desse tipo?
TARLING – Sim. É por isso que é preciso haver controle para que essas fraudes sejam detectadas e prevenidas.

DINHEIRO – Com que frequência se vê fraudes em empresas?
TARLING – Com bastante frequência. É difícil dizer com exatidão, mas várias pesquisas mostram que é bem comum. Um estudo recente mostra que a idade média dos fraudadores estava entre 35 e 49 anos. E  que tinham posições de gerência sênior.

DINHEIRO – Esses profissionais  não deveriam ser os  responsáveis por prevenir as fraudes nas empresas?
TARLING – Pois é, deveriam. Justamente as pessoas que cometem as fraudes são as que estão em posição de evitá-las. Ou seja, é preciso haver controles internos no mais alto nível. Não se pode concentrar apenas nos níveis mais baixos, mas olhar para toda a empresa. As maiores fraudes são praticadas por CFOs (diretores ou vice-presidentes  financeiros) ou CEOs (presidentes). É só olharmos para a Enron ou para a WorldCom.

DINHEIRO – De um modo geral, esses crimes de colarinho-branco são punidos?
TARLING – Geralmente as empresas evitam denunciá-los. Preferem simplesmente demitir o funcionário e ficar em silêncio. Mas o que eu digo aos meus clientes é que eles têm de divulgar o que aconteceu,  porque isso funciona como uma medida de prevenção. Se um funcionário vê alguém sendo processado por ter cometido uma fraude, ele vai pensar duas vezes antes de fazer algo parecido. O mesmo acontece na esfera pública. A pressão popular pode fazer as pessoas serem punidas. No Reino Unido, tivemos um escândalo com parlamentares no ano passado por causa de despesas irregulares. Dois lordes e três parlamentares foram presos e outros ainda são investigados. Isso só aconteceu porque houve um escândalo e a opinião pública não permitiu que ficassem impunes. Quando isso acontece na esfera do governo, é preciso que seja amplamente divulgado.

DINHEIRO – A não punição de um funcionário desonesto não afeta a moral da empresa como um todo, com os demais se sentindo injustiçados?
TARLING – É um problema. É por isso que eu digo que é preciso processar. É importante mostrar que os controles internos funcionam. Uma das razões pelas quais as pessoas cometem fraudes é porque elas têm a oportunidade. É preciso eliminá-la.

DINHEIRO – E como se faz isso?
TARLING – É necessário haver controles separados, dois registros separados sobre as compras da empresa, por exemplo. Só o fato de que aquelas operações podem ser checadas pode servir como inibidor. Não é preciso ser complicado. A maioria dos fraudadores será pega se houver mecanismos de controle. Eles sempre cometem erros. Sempre. Vão exibir  um carrão, uma viagem cara, um estilo de vida incompatível com os rendimentos. As pessoas também gostam de contar vantagem. Houve um caso de uma mulher na Grã-Bretanha, no ano passado, que fez uma festa de casamento muito cara e convidou o patrão, que achou estranho que ela tivesse dinheiro para tudo aquilo. Ele foi verificar e viu que ela vinha roubando a empresa havia muito tempo. Tenho certeza de que a maioria das fraudes será evitada. Ou, se não for evitada, será pega, se houver mecanismos de controle interno.

DINHEIRO – Existe uma estimativa do volume de fraudes cometidas nas empresas no mundo inteiro?
TARLING – Não, mas pode-se dizer que quanto mais se procura, mais a empresa encontra evidências de fraude. Não porque elas ocorrem mais, mas porque os casos vêm à tona.

DINHEIRO – Há mais desvios nas empresas privadas ou no setor público?
TARLING – Não diria que há mais em um ou em outro. O que posso dizer é: se tiver oportunidade, a pessoa vai fazer. Sempre digo que todo mundo pode cometer fraude, mas cada um tem um limite. Inclusive, já perguntei isso a mim mesmo. E o que me faria cometer uma fraude é um monte de dinheiro e nenhuma chance de ser pego. Porque não é nada bom ir para a cadeia. Acho que todo mundo tem isso dentro de si, mas nem todos têm a oportunidade e a mesma disposição de correr riscos. A minha disposição de correr risco, por exemplo, é muito pequena.

DINHEIRO – Altos níveis de corrupção num país podem afetar o fluxo de investimento estrangeiro?
TARLING – Certamente inibe o investimento estrangeiro. Por que a Transparência Internacional publica todos os anos o ranking de percepção de corrupção? As pessoas querem saber como um país funciona antes de fazer negócios.  É claro que depende de uma equação entre riscos e ganhos. Mas, se um governo é corrupto, ele também pode retroceder em suas decisões, pois não é confiável.

DINHEIRO – A corrupção é menor em países democráticos?
TARLING – Em tese, sim. Acho que devem-se olhar os dados elaborados pela Transparência Internacio­nal. Normalmente há uma correlação entre países democráticos e a percepção de corrupção.

DINHEIRO – O sr. trabalhou em várias ex-repúblicas soviéticas. O que encontrou?
TARLING – Varia muito. Houve casos em que as pessoas aproveitavam toda oportunidade que tinham para ganhar dinheiro. Mas entre os jovens havia uma sede de conhecimento. Muitos queriam mudar as coisas.

DINHEIRO – Está ganhando força, no mundo, a ideia de que corrupção é ruim?
TARLING – Acho que sim, mas ainda há muito para se avançar. Há poucos anos, nos Bálcãs, eu estava dando uma palestra, falando sobre desvios e alguém levantou a mão e disse: nós acabamos de sair da União Soviética, será que não podemos ter uns dez anos de corrupção, ganhar algum dinheiro e depois começamos a obedecer as regras? Eles argumentavam que o Reino Unido tinha passado por um longo processo de desenvolvimento e agora não deixava que eles fizessem o mesmo, queria que eles fossem honestos logo de cara. Acho que hoje estamos melhorando. Quando falo com pessoas na África, especialmente da classe média, elas não estão mais dispostas a tolerar certas coisas.

DINHEIRO – A classe média é a força por trás dessa mudança, pela consciência de que é o dinheiro delas que está em jogo?
TARLING – Acho que sim. Não sou especialista nisso, mas acho que o desenvolvimento da classe média funciona como uma barreira à corrupção, porque seus integrantes veem o que está acontecendo e sabem que é o dinheiro deles. À medida que aumenta o nível de educação de um país, mais gente toma consciência de que os políticos estão lá para cuidar do dinheiro deles e não para ficar andando de Mercedes por aí.

DINHEIRO – A crise de 2008 colocou em xeque a credibilidade das empresas de auditoria, já que algumas não viram a vulnerabilidade dos bancos e não alertaram para fraudes contábeis. Elas já se recuperaram daquele momento?
TARLING – As auditorias conseguiram recuperar sua credibilidade, porque na verdade a culpa é dos bancos, foram eles que cometeram os erros. Era muito difícil prever o que ia acontecer. Os bancos tinham alguns empréstimos bons misturados com outros ruins, por isso conseguiam boas notas das agências de classificação de risco.