segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A verdade vem do Norte


Há pelo menos dois grandes mitos com os quais as eternas potências estrangeiras do Norte contaminaram o imaginário do Ocidente: o terrorismo seria preponderantemente um fenômeno islâmico e a imprensa seria uma espécie de voz “divina” que só transmitiria a verdade e defenderia os interesses da coletividade, sendo, portanto, inatacável e inimputável. Fatos recentes, no entanto, colocaram tais dogmas em xeque.

A pretensão dos países ricos de defenderem para si o uso da força contra populações civis de outras nacionalidades como forma de pressão a nações com as quais aquelas potências econômicas, tecnológicas e militares do Norte mantêm contenciosos de todas as naturezas (econômicos, territoriais, culturais e até religiosos), foi um sucesso estrondoso.

Além de caracterizar seus atos desumanos contra mulheres, velhos e crianças como “guerra ao terror”, aquelas potências também conseguiram transformar a reação de grupos oriundos das populações atacadas dentro de seus territórios em “terrorismo”. Ou seja: conta-se como foi a reação, mas não que foi reação em vez de agressão imotivada.

Por razões culturais, de supremacia de classe e etnia ou por puro preconceito, a imprensa do Ocidente finge que, quando os Estados Unidos e União Européia interferem militarmente em outras nações distantes, vitimando legiões de civis nessas ações, o fim justificaria os meios. Mas quando, dessas populações agredidas, brota um grupo disposto a causar o mesmo tipo de tragédia nas sociedades que desencadearam as ações genocidas com as quais aquele grupo foi atingido, aí o que prevalece é o que interessa: o crime contra inocentes.

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