terça-feira, 2 de agosto de 2011

Marinus Marsico - "Falamos e ninguém escuta"

O procurador que investiga com o TCU casos de corrupção no governo denuncia que interesses políticos impedem a punição dos culpados

por Lúcio Vaz  - Revista Isto É

ALERTA: "Tudo é ignorado até o momento em que os escândalos estouram. Aí, sim, vão atrás do que o tribunal fez e descobrem que isso já foi alertado há muitos anos"

Procurador do Ministério Público do Tribunal de Contas da União há 16 anos, Marinus Marsico, 51, conhece todos os meandros utilizados por autoridades e empresários para desviar dinheiro do Erário. Antes de chegar ao TCU, atuou no controle interno da Presidência da República e foi auditor do Tesouro Nacional. Marsico considera o trabalho do tribunal técnico e profundo, mas faz uma constatação preocupante: “Nós somos uma espécie de cassandras do serviço público”, diz, referindo-se à personagem mítica que antevia as desgraças, mas que jamais era ouvida. O escândalo que derrubou o ministro Alfredo Nascimento e toda a cúpula do Ministério dos Transportes não foi novidade. “Não há técnico do tribunal que não conheça os problemas do Dnit”, afirma. Marinus reconhece que as decisões do TCU nem sempre são ágeis, mas afirma que isso ocorre, em parte, por interesses políticos. Ele cita como exemplo a decisão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva de excluir, por meio de vetos, projetos da lista de obras irregulares. “Entendo que, nesse caso, teria havido até uma interferência na autonomia do Poder Legislativo.” O procurador também explica por que alguns processos duram até dez anos no tribunal. “Há uma exacerbação da ampla defesa”, afirma. “Por meio de chicanas jurídicas, com uma série de recursos, é possível prolongar excessivamente os processos.”

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