domingo, 9 de outubro de 2011

PT E MÍDIA: MARCO REGULATÓRIO OU CONTROLE?

O Partido dos Trabalhadores tem uma trajetória interessante do ponto de vista histórico, em especial quando se fala de suas origens.

Ainda outro dia, este blogueiro fazendo uma linha do tempo, buscando um fio de ligação, entre 1982 e 2002 – o que tem de novidade nesse meio tempo, não resta dúvida, que é a máscara da direita e sua plumagem que muda a cada estação, ao sabor de seus interesses e sempre, sempre com as bênçãos da mídia, que nunca lhe faltou em dar guarida às suas teses, mesmo erradas, sempre as acobertou.

Nessa linha do tempo, relembrando que aquilo que líamos nos editoriais, e o que assistíamos nos jornais da noite, em especial o JN, era o “discurso” sempre afinado, na linha de que: “O PT, era estreito, não aceitando fazer alianças” - bradando o sectarismo, onde o partido buscava uma hegemonia na classe trabalhadora, era míope, e todos os adjetivos que pudesse mostrar o que havia de pior, era utilizado.

Após o Lula, perder 4 eleições: 1982, para governador de S. Paulo, para Franco Montoro, em 1989, perdeu para Fernando Collor, em 1994 e 1998, perdeu para Fernando Henrique Cardoso e finalmente, em 2002 – derrotou José Serra, se reelegendo em 2006 – e fazendo sua sucessora em 2010 a Presidente Dilma Roussef. Observem como os conceitos mudaram.

Após Lula perder para FHC, em 1998 – cansado de patinar sempre nos 25% dos votos, o PT, resolveu buscar os outros 26%, e curiosamente, desde então, toda a direita, aliada a imprensa que sempre tratou esse procedimento como “política de alianças” - mudou o termo passando à chama-lo de “fisiologismo”.

Vejamos os cinco erros que eles cometeram:

01 – Acreditaram que o PT, nunca chegaria ao poder; (não ganha); 02 - Se ganhar, não toma posse; 03 - Se tomar posse, não governa; 04 – Trabalharam para que PT, não fizesse maioria no Congresso; 05 – Apostaram que o PT não gerenciaria a máquina pública.

O desespero vem no sentido de que, nem com toda a mídia operando 24hs ao lado deles, mesmo assim não conseguem implementar derrotas significativas ao conjunto do partido.

A bola da vez agora e taxar o ato de “regrar” conduta da mídia, como “controle da imprensa” - ou pior, as vezes na maior cara de pau, chamam isso de censura. E adoram trombetear, que o partido vai na contramão da presidente Dilma, que tem reiterado apoio à liberdade de expressão e condenado censura. Onde está a proposta de censura? Na cabeça deles.

Aquilo que eles taxam de “censura” - na proposta do partido, é chamado de “Marco Regulatório dos Meios de Comunicação” - onde estão contidas as propostas de regrar de um segmento que NUNCA teve regulamentação. Tanto, que em se tratando de televisão por exemplo, vimos durante quase 30 anos, Xuxa, a “eterna Rainha dos Baixinhos” - se utilizar de uma concessão pública, para vender ilusões e toda gama de produtos que levam seu nome, deseducando crianças, pregando hábitos alimentares duvidosos, destroçando a cultura numa das idades mais frágeis do ser humano, tudo isso, sem dar satisfações a absolutamente ninguém. Esse é só um exemplo prático da falta de regras existentes nos meios de comunicação, ou seja, só existiu uma regra até hoje, ganhar muito dinheiro, sem importar-se com as consequências que isso pudesse provocar. E não duvidem, o estrago foi grande.

E se quiser posso ficar um dia inteiro aqui, listando os programas, como, Cidade Alerta, Pânico na TV, Rafinha Bastos, João Cleber, Faustão, Gugú, etc....e tantos outros que disputam quem tem a proposta mais duvidosa que o outro.

A Executiva Nacional do PT decidiu ontem retomar o debate sobre o marco regulatório dos meios de comunicação e fará um seminário em São Paulo, em novembro, para discutir a regulação da mídia. Na verdade, o partido irá aplicar a resolução aprovada no IV Congresso Nacional do PT, em agosto, que cobrou a regulamentação de artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios de comunicação e critica a inexistência de uma lei de imprensa. O PT também quer levar essa agenda para o Congresso Nacional.

O processo de elaboração do marco regulatório do governo federal vai cumprir um processo de audiências públicas, que deverá acontecer no final de novembro e começo de dezembro.

Embora lideranças partidárias não se cansem de dizer em entrevistas, debates, seminários e congressos que “não se trata de controle da mídia” - e sim de “estabelecer regras” de convivência e conteúdo, toda a mídia, afinadinha, trata o tema como censura e controle. Dentro do PT, até hoje, ninguém nunca falou em controle de conteúdo, mas de “liberdade de imprensa”. Mesmo assim, toda a imprensa desqualifica a seu favor, sob o argumento de controle.

"Direito de resposta", o espinhoso tema estará no seminário

Os temas escolhidos são: O monopólio dos meios de comunicação, fim da propriedade cruzada - em que uma mesma empresa possui diferentes veículos de comunicação -, direito de resposta, convergência de mídia, financiamento de mídia, banda larga e internet. Mesmo sabendo que a “propriedade cruzada” é inconstitucional, empresários continuam fazendo vistas grossas, e agindo fora da lei.

Enfim, se a direita e a mídia, subestimaram que o PT chegaria ao poder, e mesmo trabalhando diuturnamente por isso, cometeram um erro crasso , assim como está no livro “A Arte da Guerra” de Lao Tse: “Numa guerra, o pior erro que um exército pode cometer, e subestimar o poder de fogo do seu inimigo”.

Foi assim que, o partido aprovou resolução com 27 páginas e 116 artigos, onde tratou a mídia em geral, com a importância que ela tem na democracia brasileira.

O fato inegável, é que nunca antes na história deste país, a mídia tratou um presidente da forma como Lula foi tratado. Dilma ainda está sendo tolerada por eles, mas não se sabe até quanto, ou talvez seja até a realização do seminário sobre Marco Regulatório. Depois disso, só Deus pode prever o que irá rolar.

Publicada por Paulo Cavalcanti 

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