sábado, 9 de abril de 2011

Os 100 dias que mudaram uma imagem

Com um estilo próprio, Dilma Rousseff consegue impor sua marca na Presidência e passa a ser admirada até por quem a via apenas como uma radical ex-guerrilheira

Sérgio Pardellas – Istoé

Sucessora de um dos políticos mais populares da história do Brasil, a presidente Dilma Rousseff, nos primeiros 100 dias de seu governo completados no domingo 10, mostrou personalidade, imprimiu estilo próprio e conseguiu quebrar preconceitos de setores da sociedade até então refratários a ela. A popularidade de 73% registrada por recente pesquisa CNI/Ibope, superando índice obtido por Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso nos três primeiros meses de seus primeiros mandatos, não foi alcançada por acaso. O perfil executivo e a firmeza na condução da máquina administrativa, com adoção de medidas rápidas e enérgicas diante de qualquer ameaça de descompasso, seja político ou econômico, foram enaltecidos por parte da elite intelectual e empresarial do País. Seu jeito simples e discreto, de quem madruga no trabalho, cumpre o expediente palaciano sem proselitismo e cultiva hábitos comuns na vida pessoal, gerou simpatias e encantou representantes da classe média brasileira.

Dois momentos marcantes simbolizaram a aproximação do governo Dilma com faixas da sociedade, que na campanha eleitoral demonstraram maior identificação com o discurso da oposição. No dia 25 de março, uma sexta-feira, Dilma recebeu um grupo de atrizes e mulheres cineastas para a exibição do filme “É Proibido Fumar”, no cinema do Palácio da Alvorada. Após o filme, foi servido um jantar – costelinha de cordeiro e salada. O encontro, parte da agenda comemorativa do Mês da Mulher, foi um sucesso de crítica. Estiveram presentes, além de Anna Muylaert e da atriz Glória Pires, respectivamente cineasta e protagonista do filme, diretoras como Tizuka Yamasaki, Carla Camurati e Lúcia Murat. Compareceram ainda as atrizes Lucélia Santos e Patrícia Pillar. Pouco antes do jantar, Glória Pires pediu um autógrafo para a presidente. “É para quem, Glória?” “Para mim, mesma”, devolveu a atriz. Revelando apreço pela cultura, a presidente também surpreendeu até mesmo os assessores e seguranças do Planalto ao ir, no sábado 2, ao teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. Assistiu ao monólogo “A Lua Vem da Ásia”, estrelado pelo ator Chico Diaz. Após o espetáculo, Dilma foi ao camarim cumprimentar Diaz.

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