Se o sistema eleitoral chamado "Distritão" já valesse em 2010, PT e PMDB seriam ainda maiores. Conheça os interesses em jogo na reforma política
Por Pedro Venceslau
Poucas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma pista aos repórteres que o seguiam sobre qual seria sua primeira bandeira a ser desfraldada fora do governo: “Serei um leão da reforma política”. A declaração foi dada na saída de um comício de Dilma Rousseff em Porto Alegre. Ao lado da candidata, que balançava a cabeça positivamente, ele prometeu “liderar” os esforços para que o PT assuma a dianteira da reforma. Questionado sobre qual seria a dimensão das mudanças no sistema político brasileiro, ele preferiu ressaltar apenas o financiamento público de campanha. Deixou os detalhes para depois.
Como em um passe de mágica, o assunto tomou conta da campanha. O oponente José Serra, do PSDB, aproveitou a deixa e escolheu o voto distrital puro como carro-chefe de sua reforma política. “Se uma cidade tem 37 vereadores, você divide em 37 distritos, cada um elegendo o seu vereador. A vantagem disso é que o eleitor vai fiscalizar o vereador em quem ele votou”, explicou, de forma didática, aos jornalistas que tudo anotavam. A mudança sugerida pelo tucano atingiria cidades com mais de 200 mil habitantes, onde há segundo turno. Marina Silva, candidata dos verdes, também surfou na onda e foi além: defendeu a criação de uma Assembleia Constituinte para a realização da reforma política. Mas aí eleição chegou e Dilma venceu, logo abrindo o processo de transição.

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