domingo, 25 de setembro de 2011

Dilma ganha o mundo

A presidente brasileira é a primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da ONU e escolhe a crise econômica dos países desenvolvidos como o principal tema de seu discurso histórico, que antecipou o tom dos debates na reunião do Por Tatiana BAUTZER, enviada especial a Washington – Revista Istoé Dinheiro

Foi um discurso histórico. Na manhã da quarta-feira 21, a voz de uma mulher ecoou pela primeira vez na abertura solene da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. Chefes de governo do mundo todo pararam para ouvir – e aplaudir – as palavras de Dilma Vana Rousseff. Visivelmente emocionada, a presidente do Brasil subiu à mesma tribuna ocupada pioneiramente por Oswaldo Aranha em 1947, quando começou a tradição de o País abrir a cerimônia política mais importante da aldeia global. “É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico”, começou Dilma. “Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste planeta, que, como eu, nasceu mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.” Embora esteja apenas em seu primeiro ano de mandato, a presidente já é reconhecida como uma das grandes vencedoras da atualidade.


Na semana em que desembarcou nos Estados Unidos, viu sua fotografia estampada na reportagem de capa da revista Newsweek como o símbolo da ascensão feminina no planeta. Nela, a sorridente brasileira foi chamada de “Dilma Dinamite”. Não foi à toa. Ao falar para uma platéia formada pelos homens e mulheres mais poderosos do mundo – dentre eles, o americano Barack Obama, o segundo a discursar –, ela tocou nas principais feridas econômicas e políticas que regem as relações internacionais. E deu seu recado. O assunto que mobilizou a maior parte de seu discurso foi a crise internacional. Assumindo o papel de porta-voz dos países emergentes, que ganham predominância no cenário global em meio à situação lastimável das economias desenvolvidas, Dilma reivindicou maior participação na definição de políticas para recolocar a economia mundial nos eixos. “Esta crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países”, afirmou a presidente. “Como todos sofrem as consequências, todos têm o direito de participar das soluções”. Dilma não se furtou a dar recomendações aos líderes mundiais, criticando a lentidão na tomada de decisões por fatores políticos e afirmando que a prioridade deve ser solucionar a crise de dívida soberana e reverter o quadro recessivo.  “Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise", disse a presidente do Brasil. E acrescentou: “Os países emergentes querem e podem ajudar enquanto há tempo.” 

A ofensiva da presidente por mais influência no cenário internacional ocorre num momento também histórico da economia mundial, em que o agravamento da situação nos países avançados aumenta o peso atribuído aos emergentes como os últimos sustentáculos do crescimento global. A nova previsão de crescimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) para os países emergentes, de 6,4%, é o quádruplo do 1,6% previsto para os desenvolvidos. A 328 quilômetros da ONU, em Washington, o cenário pessimista dominou as discussões no encontro anual do FMI e do Banco Mundial. A letargia na economia americana e a crise europeia contribuíram para reduzir a previsão de crescimento global para este ano de 4,3% para 4%, bem abaixo dos 5% do ano passado. Para o ano que vem, a previsão também foi reduzida, de 4,5% para 4%. O risco de uma volta à recessão nos Estados Unidos e na Europa não está afastado, se a crise sair de controle.

Como lembrou Dilma, a face mais amarga dessa situação é o desemprego, que atinge 205 milhões de pessoas no mundo, sendo 44 milhões na Europa e 14 milhões nos EUA. “É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do planeta”, afirmou a presidente brasileira. Difícil é atingir o consenso sobre o que fazer. A discordância entre os principais países sobre as políticas adequadas para sair da crise, do uso de recursos fiscais para estimular as economias à necessidade de recapitalizar os bancos, gerou repetidos pedidos de maior coordenação. A diretora-geral do FMI, a francesa Christine Lagarde, presidindo sua primeira reunião anual desde que assumiu o cargo, em junho, pediu a volta do ímpeto coletivo que se viu no G-20 (grupo das maiores economias avançadas e emergentes, do qual o Brasil faz parte) durante o auge da crise financeira de 2008. “Aquele foi um momento em que todos os líderes se uniram”, afirmou. “Espero que isso possa acontecer novamente.”

O Fundo subiu o tom em alertas cada vez mais duros à Europa. Em meio a excruciantes negociações da Grécia com as autoridades europeias e com o Fundo para tentar evitar a bancarrota e o rebaixamento da nota de risco da Itália, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, criticou a lentidão na ação dos governos do continente. “Na zona do euro, os países estão um passo atrás dos mercados”, afirmou. O relatório de Estabilidade Financeira Global confirmou um impacto de E 300 bilhões nos bancos europeus, provocado pelo aumento do risco dos títulos soberanos e de outras instituições financeiras. Era nítida entre os dirigentes do Fundo a crescente tensão ao longo da semana, à medida que o humor dos mercados financeiros mundiais se deteriorava e beirava o pânico. O anúncio pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, da “Operação Twist”, que pretende comprar US$ 400 bilhões em títulos de longo prazo até o ano que vem, em vez de acalmar os mercados, produziu o efeito oposto.

O alarme com a avaliação do Fed sobre a fraqueza da economia americana só contribuiu para a derrocada ainda maior das bolsas e a fuga em massa dos ativos de risco. Só na semana passada, as empresas abertas perderam US$ 3,4 trilhões em valor de mercado. No Brasil, o Ibovespa desabou 7% até quinta-feira e o dólar atingiu as maiores cotações em dois anos. Subiu mais de 10% e quase alcançou R$ 1,90 na quinta-feira, obrigando o Banco Central a voltar a fazer intervenções. Diante das notícias, Lagarde indicou que a crise atual pode ter consequências mais sérias do que a de 2008. Na época da quebra do banco Lehman Brothers, havia mais espaço para a recuperação porque os países tinham recursos fiscais suficientes para sustentar seus sistemas bancários. “Hoje, a munição é menor”, afirmou. Preparando-se para um agravamento da situação, foi aprovada antes da reunião com os principais membros do FMI a reativação de uma reserva conjunta que colocará à disposição do organismo US$ 571 bilhões em recursos de empréstimos bilaterais.




Ao mesmo tempo, a pressão dos mercados financeiros e das autoridades de países de fora da zona do euro levou o G-20 a divulgar um comunicado extraordinário, com a promessa de agir para acalmar o sistema financeiro global e preservar a estabilidade do sistema bancário. Uma das possíveis medidas seria aumentar a atuação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, que dispõe de € 440 bilhões para ajudar na capitalização de bancos e socorrer países em dificuldade. A crise nas economias avançadas deixou pouco espaço para as tradicionais críticas ortodoxas a políticas adotadas pelos países em desenvolvimento. O Fundo até apoiou a recente decisão do Banco Central brasileiro de reduzir as taxas de juros de 12,5% para 12%, o que representou uma mudança em relação à preocupação que o organismo expressava até recentemente com os riscos de superaquecimento da economia. “Esperamos que o crescimento no Brasil continue relativamente sólido neste ano e no próximo”, afirmou à DINHEIRO John Lipsky, assessor especial de Lagarde. “As pressões inflacionárias ficarão relativamente controladas.”

Os elogios ao Brasil não acontecem por acaso. Além de registrar um crescimento bem acima da média, o País tem sido um dos destinos prediletos para investimentos produtivos e financeiros. Entretanto, o que começa a preocupar nesta crise é que os países emergentes, que foram a tábua de salvação do crescimento global nos últimos três anos, podem não conseguir mais desempenhar esse papel com tanto brilhantismo. Eles estariam mais vulneráveis a sofrer um impacto maior do que em 2008, quando conseguiram descolar-se do desempenho do mundo desenvolvido. A expectativa de crescimento para a economia brasileira já foi reduzida pelo FMI de 4,1% para 3,8% neste ano. A luz amarela está acesa. Para o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, os mercados emergentes não estão mais numa situação tão favorável. “A crise criada no mundo desenvolvido pode tornar-se uma crise para os países em desenvolvimento”, afirmou.

 O ministro Mantega e seus colegas dos Brics: oferta de ajuda financeira aos europeus foi discutida, mas não saiu

Zoellick lembrou que os países têm hoje muito menos condições de expandir os gastos públicos para sair da crise. O diretor do departamento de Mercado de Capitais do FMI, José Viñals, alertou que os bancos de mercados emergentes poderão sofrer com uma reversão brusca de fluxos de capital financeiro. Também lembrou os riscos que podem ser gerados a partir de bolhas de crédito. Em vista da forte desvalorização do real, o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou a demonstrar maior preocupação. “O risco de essa crise se agravar é envolver também os BRICs e os países emergentes menos avançados”, afirmou, dizendo temer os efeitos sobre o comércio mundial e os preços de commodities. “Existe o risco agora de que a crise soberana de alguns países possa se transformar numa nova crise financeira.” Justamente pelo medo das consequências da crise, o Brasil e outros países emergentes estão buscando maior protagonismo nas decisões multilaterais, procurando influir nas decisões que, em última instância, também afetarão suas economias. Há espaço para isso.

"Não façam coisas estúpidas, não deixem o mundo escorregar para o protecionismo" -
Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial

Depois de pedir mais mobilização do G-20, a própria diretora-geral Christine Lagarde reiterou: “Gostaria de ressaltar aos 187 membros do FMI que precisamos gerenciar a crise juntos.” É fato que o Brasil é hoje visto com outros olhos pela comunidade financeira internacional. Acompanhando o maior espaço ocupado pela presidente Dilma, as iniciativas do ministro Mantega também têm chamado a atenção. Mas a tentativa de aumentar a influência dos emergentes não ocorre sem percalços. O grupo dos BRICs, formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, gerou grande expectativa ao marcar uma reunião em Washington para discutir como ajudar a União Europeia, como anunciou Mantega. Especulou-se que o grupo, com mais de US$ 4 trilhões em reservas internacionais (dos quais US$ 3,3 trilhões são da China), pudesse comprar títulos de países europeus em dificuldade ou oferecer recursos imediatamente ao FMI. Com a faca e o queijo na mão, os chineses exigem antes o reconhecimento oficial, pela União Europeia, de que seu país é uma economia de mercado – promessa feita e nunca cumprida pelo Brasil. O assunto foi discutido na quinta-feira 22, mas não houve acordo.

Os BRICs frustraram os que esperavam uma oferta concreta e imediata e, num comunicado, comprometeram-se apenas a considerar, “se necessário”, apoiar o Fundo Monetário Internacional. Não houve oferta de empréstimo porque não houve pedido dos países europeus, explicou Mantega na sexta-feira 23. De qualquer maneira, a reunião serviu para marcar posição em torno do interesse dos países emergentes de que o G-20 tenha um papel mais relevante no gerenciamento da crise europeia, que vinha sendo tratada até agora principalmente pelos países desenvolvidos. Os BRICs também aproveitaram para pedir a aceleração da reforma da governança do FMI, que aumentará o poder de voto dos países em desenvolvimento – ponto, aliás, defendido por Dilma na ONU. Outras iniciativas para as quais o País planejava obter maior visibilidade foram desenhadas para um cenário de real valorizado. Uma delas é um mecanismo a ser criado na Organização Mundial do Comércio, que permitiria a adoção de medidas antidumping contra países que estejam manipulando suas moedas.

"Hoje, a munição contra a crise é menor. gostaria de ressaltar aos 187 membros do FMI
que devemos gerenciá-la juntos" - Christine Lagarde, diretora-geral do FMI

A ideia seria propor bandas de flutuação permitidas entre as moedas, que seriam apuradas pelo FMI. Oscilações fora dessas faixas dariam origem a sanções. A despeito da disparada do dólar no Brasil, a bandeira da “guerra cambial” foi encampada pela presidente Dilma. A expressão refere-se principalmente à desvalorização da moeda americana em relação ao real, provocada pela política monetária frouxa nos Estados Unidos, e da chinesa cuja taxa de câmbio é administrada. “É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante para impedir a manipulação”, afirmou Dilma, que também publicou um artigo sobre o assunto na edição de quinta-feira do jornal britânico Financial Times. Ainda que não produzam resultados imediatos, as sugestões brasileiras têm tido mais repercussão na agenda internacional.

Enquanto não se resolvem os fundamentos da crise, a retração econômica estimula o recrudescimento do protecionismo. “Claro que há esse risco”, afirma Lipsky. Esta, aliás, é uma das maiores preocupações do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. “Não façam coisas estúpidas, não deixem o mundo escorregar para o protecionismo”, foi a recomendação de Zoellick ao se referir a políticas que deveriam ser adotadas por países emergentes para enfrentar a crise. A adoção desse tipo de medida cria entraves à estratégia de ação coordenada entre os países emergentes. A recente medida do governo brasileiro, que aumentou o IPI para veículos importados ou com índice de nacionalização inferior a 65%, colocou o ministro Mantega numa saia justa.

Perguntado se o aumento de imposto para veículos importados não seria uma medida protecionista, Mantega, que estava sentado à mesma mesa que Xie Xuren, ministro das Finanças da China, um dos países mais atingidos pela nova alíquota 30 pontos percentuais mais cara, negou. “Não é uma medida protecionista. Ela estimula investimentos locais em tecnologia”, diz Mantega. “Não há nenhuma restrição a investimentos no País.” Esse debate vai longe. Em seu discurso histórico na ONU, a presidente Dilma criticou a tendência de favorecimento artificial dos mercados e das empresas nacionais, que geralmente ocorre em épocas de crise econômica global: “O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.” Sábias palavras, que merecem ser obedecidas no próprio governo e ouvidas lá fora. Como diz a Newsweek, é melhor não contrariar “Dilma Dinamite”.


Entrevista: “O crescimento no Brasil continua sólido, e as pressões inflacionárias ficarão controladas”

por Tatiana Bautzer

 O economista John Lipsky, o número 2 do Fundo Monetário Internacional nos últimos cinco anos, é um dos mais experientes executivos do organismo multilateral. Com uma carreira construída no mercado financeiro (foi vice-presidente do J.P. Morgan), Lipsky pilotou o Fundo quando Dominique Strauss-Kahn foi preso sob acusação de estupro. Agora como assessor especial da diretora-geral Christine Lagarde, responsável pela ligação do organismo com o G-20 até novembro, Lipsky acredita que os países emergentes podem dar uma contribuição importante para a estabilidade financeira global com suas altas taxas de crescimento, desde que isso não gere inflação. Lipsky apoiou a decisão do Banco Central brasileiro de reduzir as taxas de juros. A seguir, os principais pontos da entrevista exclusiva de Lipsky à DINHEIRO, em Washington:
 
John Lipsky, assessor especial de Christine Lagarde no FMI

Qual sua opinião sobre a reação do Brasil à crise, especialmente na política monetária, com a redução de taxas de juros?
O Brasil, como outras economias emergentes, enfrentou um ambiente muito complexo, com alguns aspectos favoráveis e outros, nem tanto. Os termos de troca têm sido favoráveis para o Brasil e um dos reflexos disso foi um aumento no fluxo de capitais e também da inflação para uma economia que já vinha crescendo fortemente durante um período de política fiscal expansionista. Houve a necessidade de apertar tanto a política monetária quanto a fiscal num ambiente complexo, em que o aperto monetário tem a tendência de atrair mais fluxos de capital. Isso exigiu melhor equilíbrio nas contas fiscais e a redução dos riscos inflacionários e, ao mesmo tempo, enfrentar as pressões criadas pelos termos de troca favoráveis e os fluxos de capital. Esperamos que o crescimento no Brasil continue relativamente sólido neste ano e no próximo. E acreditamos que as pressões inflacionárias ficarão relativamente controladas. Há circunstâncias favoráveis do lado fiscal, com uma arrecadação maior que a esperada. Nesse contexto, a queda das taxas de juros foi compreensível. Como prevemos uma trajetória de queda para a inflação, esperamos que o Banco Central esteja atento aos acontecimentos e reaja se essas expectativas favoráveis se confirmarem. Claro, alguma cautela é sempre apropriada em termos de movimento na taxa de juros.

 O prometido aumento do superávit primário em R$ 10 bilhões é factível?
Acreditamos que sim. Não apenas é factível, é também desejável.
 
Qual o papel dos mercados emergentes nesta nova crise?
É importante notar que a economia global tem crescido bem acima das taxas médias históricas. A distribuição desse crescimento é que cria problemas. Nas economias avançadas, o crescimento é muito lento para reduzir o excesso de capacidade e o desemprego. As economias emergentes continuam crescendo relativamente rápido e, em alguns casos, são pressões sobre a capacidade que ameaçam uma volta ao ciclo de expansão e queda brusca, em vez da prosperidade sustentada que todos desejamos. A mais importante contribuição dos mercados emergentes agora seria ajustar suas economias para manter um crescimento forte, mas equilibrado, sem gerar inflação. Isso ajudaria não apenas a impulsionar a economia global, mas também a estabilidade global, reduzindo os desequilíbrios. Essa é a contribuição mais importante que os emergentes podem dar.

O que achou da proposta do Brasil de criar medidas de antidumping cambial?
Não vi em detalhes essa proposta, não posso comentar.
 
Mas há uma certa frustração com a dificuldade de lidar com a subvalorização de algumas moedas…
Parece-me que o apropriado seria lidar com essas questões no âmbito dos mecanismos de cooperação do G-20. O motivo principal dessa abordagem é a convicção de que políticas feitas dessa maneira dão melhores resultados econômicos para todos e não se deve pensar no sacrifício de uns para o benefício da maioria. A meta é desenvolver e implementar políticas que promovam ajuste num contexto de aumento da estabilidade. Em outras palavras, o objetivo primordial deve ser criar um sistema de políticas coerentes, que promova crescimento e equilíbrio sem recorrer a distorções e controles. O Brasil, por exemplo, poderia melhorar seu desempenho econômico elevando sua taxa de poupança, fortalecendo o mercado financeiro doméstico, para melhorar a alocação de capital, aumentando a produtividade. São esforços que teriam efeitos benéficos em fazer a economia brasileira mais competitiva.


O que mudou no Fundo sob a liderança da francesa Christine Lagarde?
Os desafios evoluem constantemente e o FMI tem que continuar respondendo com flexibilidade aos eventos. Christine Lagarde traz muita experiência tanto na elaboração de política econômica quanto no gerenciamento de grandes instituições. Foi impressionante a rapidez com que ela se familiarizou com a ampla gama de questões tratadas, e está sendo uma líder muito eficiente.

Qual a chance de uma crise bancária séria na Europa?
Como todos sabemos, alguns bancos europeus enfrentam dificuldades, incluindo financiamento e queda de preços das ações. Não sei exatamente em que ponto as dificuldades tornam-se uma crise. A questão de fundo no sistema bancário é que as pressões refletem dificuldades de financiamento dos governos. É necessário, então, olhar essa questão de maneira holística. Como a diretora-geral afirmou, tratar o problema de maneira efetiva requer foco em três áreas específicas: fortalecer as perspectivas econômicas dos governos, fortalecer o sistema bancário e melhorar a governança da zona do euro.

Quais são as chances de o euro se desintegrar e de países como a Grécia deixarem a moeda única?
Com as autoridades gregas e nossos parceiros europeus, temos um programa desenhado para produzir melhora substancial e sustentável no desempenho da economia grega. O programa procura atingir a raiz do problema econômico da Grécia, que é a perda de competitividade. Isso requer reformas estruturais. Em segundo lugar, o programa procura restaurar as finanças públicas para um patamar sustentável e assegurar a estabilidade do sistema financeiro grego. Obviamente, esse programa está em circunstâncias muito difíceis. Já houve avanços importantes, mas um sucesso sustentável vai requerer esforços adicionais das autoridades gregas, com apoio das autoridades europeias e do FMI.

Por quanto tempo a política monetária pode continuar tão frouxa nos países desenvolvidos?
No momento, há importantes riscos negativos para o crescimento global. Nesse ambiente, a continuidade da política monetária acomodativa nos países avançados é apropriada.

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