domingo, 5 de junho de 2011

"A Bolívia vive um novo momento da sua história"

Em entrevista ao jornal Página/12, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, analisa o atual momento político e econômico do país. “Depois da consolidação da revolução plurinacional, o governo de Evo Morales enfrenta demandas redistributivas de setores aliados. Nesta etapa é preciso resistir à tentação do populismo e afiançar as conquistas”, defende. "No fundo a política é economia concentrada" observa Linera. "Há um momento da política. Alianças, discursos, sentido comum da história. Mas logo tem que se traduzir em fatos, em benefícios".
Santiago O'Donnell - Página/12

Entrevista publicada originalmente em português no site do IHU Online/Unisinos:

Após cinco anos de forte crescimento político e econômico, dá a impressão de que a revolução boliviana se estabilizou [‘ha amesetado’, de ‘meseta’, lugar plano e elevado]. É isso?

“Amesetamiento”, gosto desta palavra. Podemos dizer que há um ano e meio o processo revolucionário entrou em uma mudança de fase. Em termos gerais, nosso processo teve cinco etapas na última década. Há o momento em que se gesta esta coalizão, a unificação de setores subalternos, anteriormente divididos, separados, e vai se construindo uma vontade de poder. São os anos 1998, 1999, 2001, 2002. Vão se articulando localmente estruturas de mobilização, vão surgindo lideranças plebeias, vão se criando tarefas e objetivos compartilhados. Depois vem a segunda fase, que é quando esta vontade se objetiva territorialmente. Se objetiva como projeto-proposta, se objetiva como liderança. Chamou-se esta etapa de “empate catastrófico”. Forças que se organizam, se aliam, portadoras de horizontes diferentes, de necessidades e propostas diferentes. Cada qual tem adesão social. Por isso, “empate catastrófico”.

Isso vai de 2003 até pelo menos 2008. Depois vem o momento em que esta força nova se converte em governo com a vitória eleitoral. Mas a tensão de poderes continua. A Meia Lua, com seu projeto de país, conservador, esse seria o terceiro momento. O quarto momento é a fase heróica. Quem vai ter o poder? O velho bloco se reconstrói com a tomada de prédios, com a tentativa de golpe de Estado, com a tentativa de assassinato do presidente Evo, trazendo mercenários para dividir a Bolívia, como se tentou, ou o novo bloco no poder que se consolida? É o momento que chamamos de robespierriano...

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