domingo, 8 de maio de 2011

A “crise” dos carrinhos. E a oposição com isso?

por Luiz Carlos Azenha

Fui hoje a um daqueles hipermercados gigantescos (desculpem o pleonasmo) de São Paulo, comprar os aparatos necessários à replicação, no Brasil, da doutrina Hans Bintje*.

Na entrada, crise. Faltavam carrinhos de compras para atender a todos os clientes. Os funcionários da loja, desesperados, despencavam escada rolante abaixo para recuperar os carrinhos deixados por consumidores que desembarcavam as mercadorias no estacionamento, em seus automóveis.

Entrei bisbilhotando os carrinhos alheios: comida, comida, muita comida.

Um funcionário do mercado anunciava que o preço da picanha congelada tinha baixado de 34 para 16 reais o quilo. Coisa de gringo esperto: provocar aquele fuzuê que estimula as pessoas a comprar coisas que não haviam planejado comprar (já notaram que não tem janela, nem relógio em supermercado? Parece cassino). Nessa, tem gente que nem se liga na qualidade, nem na data de validade do produto.

Uma família deixava o lugar com uma TV de 42 polegadas em um carrinho, protegendo o objeto como se fosse algum santuário.

Uma outra discutia diante de cartazes gigantes que anunciavam um novo navio de uma empresa de cruzeiros. Era a porta de uma agencia de viagens, que estava cheia. O jovem argumentava que era muito difícil conseguir visto para os Estados Unidos, que a mãe deveria desistir do sonho de conhecer a Disney e fazer um cruzeiro no Caribe. Como argumento, apontou para o novo navio: “Tem até pista de patinação, mãe!”.

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