“Podem ter ajudado as eleições pregressas de pitanguys e sarneys, mas a 'imortalidade' desse merval marca o ponto além do qual não há retorno”
A história parece ter esfriado – propositalmente esfriado – na mídia, mas não vou deixar passar batido: neste pé e segundo “critérios” no sentido de “popularizar” (a palavra não seria mediocrizar?), segundo a Folha de São Paulo, a ABL - Academia Brasileira de Letras -, em poucas décadas, vai se tornar um clubinho de mervais, pleno de chás e vesperais bucólico-edílico-estivais e dos mais porretas.
Eu poderia prosseguir neste tom humorístico assim indefinidamente, o texto ia ficar muito engraçado, hilário, resvalando entre o ridículo, o sarcasmo e a ironia – aliás, minhas especialidades –, mas não seria verdade porque desta vez fiquei indignada, raivosa, irada, putíssima da vida, e isto, ao invés de prejudicar-me a expressão, ao contrário favorece e muito porque - e aqui lembro uma frase do Raduan Nassar - no escritor é a emoção que comanda a razão, até porque ninguém conduz quem o demônio extravia, sobretudo quando é preciso soltar os cachorros, dar nomes aos bois, e dar nomes – dizer que as coisas têm nome, função e razão de ser – também continua sendo tarefa do escritor.
Antes invoco José Guilherme Merquior que observa num artigo(1) famoso: pode-se dizer que o meio século (dos anos 50 até nossos dias) tem sido para a intelligentsia latino-americana em geral, e para a classe literária em particular, a época da consolidação da autonomia do campo intelectual (Bourdieu), isto é, do fortalecimento de suas próprias instâncias de seleção e consagração. Ou seja, a legitimação da literatura deixou de proceder predominantemente dos centros de hegemonia social ou de estratégias de obtenção de status, para depender mais e mais de critérios intrinsecamente estéticos e intelectuais.
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