Domingo pede cachimbo, dizia-se antigamente. Hoje, pede outros passatempos
Por: Paulo Donizetti de Souza, Revista do Brasil
Se os concessionários de canais de televisão são insensíveis à elevação cultural da população, que pode e deve ser oferecida pela TV, cabe então ao Estado agir para forçar a oferta de programações realmente diversificadas. Está mais que na hora de o Brasil instituir um órgão regulador para o rádio e a TV capaz de intermediar as relações entre o público e as emissoras, criando políticas voltadas para atender aos mais diferentes gostos e anseios da população. O argumento de que quem não quer ver cenas desse tipo muda de canal não se sustenta porque as alternativas são do mesmo nível. Na verdade, troca-se de canal para ver a mesma coisa com outra roupagem. Basta lembrar o Gugu e a farsa do PCC, outro momento histórico.
Presente em praticamente todas as residências, a TV tem no domingo uma audiência cativa de milhões de pessoas. Não é preciso sair de casa para consumi-la e, o mais importante, não é necessário tirar dinheiro do bolso. Poucos se dão conta de que o pagamento é feito na hora de comprar qualquer produto ou serviço anunciado, uma vez que o custo da propaganda está embutido no valor pago. Mas quem vai se lembrar disso logo depois do almoço de domingo?
Pena que a TV brasileira retribua tão mal a fidelidade do público. Se sua qualidade já é duvidosa em qualquer dia da semana, no domingo torna-se insuperável. A emissora líder de audiência mantém há anos no ar o Domingão do Faustão, responsável por um dos momentos históricos da TV brasileira quando exibiu o “sushi erótico”. Em programa recente mostrou pés com calos e frieiras, em todos os detalhes, como se nada de mais agradável pudesse ser oferecido ao telespectador.

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