domingo, 8 de maio de 2011

As nervuras do PSD

Com efeito, pesquisas tendo por objetivo avaliar o grau de plausibilidade do senso comum, que atribui todos os defeitos possíveis ao sistema partidário brasileiro, têm demonstrado o oposto, a saber, que os partidos parlamentares comportam-se de forma responsável, longe da aleatoriedade que seria de se esperar fossem eles não mais do que meros agregados de interesses pessoais e particularistas.

Wanderley Guilherme dos Santos, Horizonte do Desejo, Ed.FGV, 1ª edição, 2006, pág. 108.

Há semanas que venho estudando uma forma de interpretar o desempenho dos partidos que não seja uma variação do já antigo clichê sobre a ausência de ideologias que os norteiem. Analistas apressados, à leste e oeste, vivem repetindo esse lugar-comum, com o que parecem se auto-afirmar. Ou seja, os partidos vão mal, não tem ideologia, mas eu, o analista, o intelectual, o blogueiro, o cidadão, eu tenho ideologia! Entretanto, é muito fácil ter uma ideologia. Difícil é transformá-la em ação congressual, em força política, em articulações partidárias.

Tenho me fundamentado, no blog, nos livros de Wanderley Guilherme dos Santos, em especial, o Horizonte do Desejo, para demonstrar que a tese da falta de ideologia dos partidos é, no mínimo, questionável. Pode ser que os membros da maioria dos partidos não se encontrem regularmente para cantarem algum tipo de hino revolucionário, nem se reúnam em torno de uma mesa para comemorar o aniversário da morte de tal pensador político do século XIX. Mas nem por isso deixam de possuir uma ideologia.

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