quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sindicatos querem Estado na economia e regulamentação do mercado


Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual 

Na avaliação de técnicos e sindicalistas que participam do congresso nacional da CUT, as crises norte-americana e europeia demonstram a importância da presença do Estado na economia e a necessidade de regulamentação dos chamados mercados, desmontando teses centrais nos anos 1990, que pregavam exatamente o contrário. “A luta contra o desemprego é política e encontra forte oposição”, afirmou o assessor político sênior do comitê sindical da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Roland Schneider. “Os inimigos do movimento sindical se opõem à intervenção do Estado na economia”, acrescentou, considerando a estratégia de crescimento do Brasil “um exemplo bem sucedido”.
Para Schneider, “a experiência brasileira sublinha a importância de proteger os setores mais vulneráveis”. Ele destacou a necessidade de manter o investimento público e as politicas públicas voltadas para o emprego, defendendo instrumentos do mercado de trabalho como a legislação, o salário mínimo e o seguro-desemprego. O assessor vê governos europeus sendo chantageados por organismos financeiros internacionais para aplicar modelos de austeridade fiscal, “uma péssima ideia para fazer crescer a economia”.
O secretário-geral da Central Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), Victor Baez, vê um processo de disputa por uma nova hegemonia no debate sobre projeto de sociedade. “A crise não é apenas econômica. É trabalhista, social, ambiental, alimentar e energética. Isso nos leva a pensar em que tipo de desenvolvimento queremos para os nossos países, para o continente e para o mundo. Os direitos humanos não dependem apenas das leis, das constituições e das convenções, mas sobretudo do tipo de desenvolvimento que nós queremos.”
Para ele, passou-se do período do Estado do bem-estar social para a “financeirização” da economia e o crescimento das transnacionais, o que resultou em concentração da riqueza e eliminação das pequenas empresas, impedindo a expansão do emprego. A legislação trabalhista também ficou sob ameaça, acrescentou. “O que está acontecendo na OIT (Organização Internacional do Trabalho) é uma briga pelo poder. O papel normativo da OIT está sendo questionado”, afirmou. O presidente da CUT, Artur Henrique, destacou a importância da eleição de Guy Ryder para a direção geral da organização, com apoio do movimento sindical. “Mas isso não basta se não houver uma estrutura para que a OIT consiga continuar implementando a agenda do trabalho decente.”
Mas Artur acredita que é momento de "mudanças estruturais" na economia, dando o exemplo de uma efetiva reforma tributária. "Desonerações pontuais não bastam mais." Isso também vale para a política, sustenta o dirigente: "Queremos discutir nosso modelo de desenvolvimento. E o instrumento para isso é a plataforma da CUT para as eleições. Temos lado nessa disputa."
Na mesma linha, o secretário-geral da Cisl (central sindical italiana), Raffaele Bonanni, defendeu o que chamou de "verticalização" do poder. "É preciso maior participação dos trabalhadores nas decisões econômicas e políticas", afirmou.

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