domingo, 3 de março de 2013

O SÁBIO FHC E A FÁBULA DO CONSELHO DOS RATOS


Saber é saber que se sabe! Fernando Henrique Cardoso parece insistir no fato de que sabe que não sabe. O Farol de Alexandria continua a pronunciar que “O Brasil está hoje sem rumo”, como forma de atacar os governos da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. FHC parece ser o guardião de um rancor tão grande que lhe impede de poder perceber todos os benefícios que a população brasileira alcançou nos últimos 9 anos com a conjunção de distribuição de renda e desenvolvimento econômico. FHC, assim, inocula a política na “má consciência” (Nietzsche), pois faz da política a ausência de alegria e a afunda na tristeza do julgamento.
O julgamento de FHC contra Lula e Dilma se deu na noite de domingo, em Belo Horizonte, em evento do tucanato. FHC disparou seu arsenal: “o que era interferência do partido no governo passou a ser norma”.  “O governo passou a se imiscuir em tudo, cooptando organizações. O nome disso ainda é democracia , mas ela tem arranhões, sufoca o município, sufoca os Estados”. Para FHC, a Petrobras e o setor elétrico são exemplos dessa ocupação do Estado e o “desastre é imenso”. “E a isso daremos um basta elegendo um novo presidente do Brasil”.

Contudo, para se eleger este novo presidente do Brasil, FHC, antes de afirmar a prática da privatização como necessária para colocar o Brasil novamente no caminho certo, deixou bem claro que “Quem está no governo usurpou e deturpou o nosso projeto nesse momento”, acusando de fisiologismo o que se faz no governo federal atual.
Mas nada disso foi suficiente para apagar a principal meta, declarada por FHC, do PSDB para poder ganhar as eleições de 2014: o partido dos tucanos deve se aproximar mais do povo.
Sabemos o quanto esta aproximação com o povo em nada combina com a história do PSDB. Mas FHC tem seu trunfo na manga: uma candidatura “mais dinâmica e mais jovem”. Claro que já sabemos que FHC está falando de Aécio Neves, o autor desta fala no mesmo evento: “A agenda que está hoje no Brasil é a que foi proposta lá atrás pelo PSDB com a estabilidade da moeda, com as privatizações, com a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Toda esta história nos leva a comparar a sabedoria de FHC para ganhar as eleições presidenciais em 2014 com a fábula do Conselho dos Ratos:
Sabe-se que em Esopo a seguinte narrativa fabulosa é contada:
Os Ratos resolveram organizar um conselho para decidir, qual seria a melhor alternativa, para que eles pudessem saber com antecedência, quando o inimigo deles, o Gato, estava por perto.
Dentre as muitas ideias apresentadas, uma delas, que logo foi aprovada por todos, considerava que, um sino deveria ser pendurado no pescoço do Gato. Assim, ao escutarem o tilintar do mesmo, todos poderiam correr a tempo para seus buracos. Além de gostaram do plano, todos ficaram extasiados com tão criativa solução.
E um velho Rato então questionou:
 “Meus amigos, percebo que o plano é realmente muito bom. Mas, quem dentre nós prenderá o sino no pescoço do Gato?”
E nenhum voluntário se fez presente.
Não fosse FHC um enganador da velhice e deixasse toda a suavidade da experiência avançada lhe inundar de intrépida sabedoria, poderia ser ele o sábio velho a alertar os mais jovens tucanos que se aproximar do povo não é coisa tão fácil de fazer quanto é de falar. Mas FHC negando a sua velhice assim, parece negar sua sabedoria. Colocando por fim, todos seus camaradas de partido em perigo.
O próprio Esopo alerta: “Dizer o que deve ser feito é uma coisa, fazê-la, entretanto, é “coisa” bastante diferente”.

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